Suécia Alerta para Risco de Escassez de Combustível de Aviação na Europa

Embora o governo sueco descarte racionamento imediato, o bloqueio do Estreito de Ormuz já impacta aeroportos europeus e acende sinal amarelo para viajantes internacionais

Estocolmo, Suécia — O governo da Suécia emitiu, nesta terça-feira (28), um alerta formal sobre o risco de desabastecimento de combustível para o setor de aviação em todo o continente europeu. A medida é uma resposta direta à escalada do conflito no Médio Oriente e ao bloqueio estratégico do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais vitais para o comércio global de petróleo e gás.

Em conferência de imprensa, a ministra da Energia, Ebba Busch, enfatizou a necessidade de uma ação preventiva. “Alertamos atempadamente para o risco de não haver combustível suficiente para a aviação”, afirmou Busch, destacando que a situação global é volátil. O alerta baseia-se em relatórios da Agência Sueca de Energia, que, apesar da gravidade, não antevê risco de racionamento a curto prazo no território sueco.

Impactos nos Aeroportos e no Setor de Viagens

A crise já começa a desenhar contornos práticos no sul do continente. Segundo Busch, aeroportos na Itália já foram forçados a priorizar voos específicos devido à falta de querosene, um sintoma precoce do estrangulamento da oferta. O governo sueco recomendou formalmente que passageiros, especialmente aqueles com destino a países fora da Europa, verifiquem a situação de seus voos e a cobertura de seus seguros de viagem para eventuais cancelamentos.

Mesmo diante de um cenário de paz imediato, a recuperação não seria instantânea. “Levaria tempo a restabelecer a oferta de petróleo e gás a nível global”, alertou a ministra, indicando que o mercado de energia deve permanecer sob pressão nos próximos meses.

A Resiliência Nórdica e o Cenário Global

Apesar do tom de cautela, as autoridades suecas enviaram uma mensagem de relativa tranquilidade ao mercado interno. Caroline Asserup, diretora da Agência Sueca de Energia, esclareceu que o fornecimento de gasolina e gasóleo para veículos terrestres não está ameaçado, nem a curto nem a longo prazo.

A resiliência da região deve-se à ampla capacidade de refinação dos países nórdicos e ao uso predominante de petróleo extraído do Mar do Norte. O primeiro-ministro, Ulf Kristersson, reforçou que, embora a crise seja global, a Suécia encontra-se em uma posição privilegiada, sendo “muito menos afetada do que a maioria dos países europeus”.

No entanto, o governo mantém todas as opções sobre a mesa. Se o conflito envolvendo o Irão se prolongar, o país não descarta a implementação de medidas para reduzir o consumo energético ou o racionamento de combustível em cenários mais extremos de longo prazo.