Polêmica no Colégio Militar Dom Pedro II: Pais contestam adoção de livro de Lygia Bojunga

BRASÍLIA – A escolha do livro “A Bolsa Amarela”, da premiada escritora Lygia Bojunga, para as turmas do 4º ano do ensino fundamental do Colégio Militar Dom Pedro II, gerou um forte embate entre as famílias dos estudantes. O colégio, gerido pelo Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF), enfrenta críticas de pais que consideram o conteúdo inadequado para crianças de aproximadamente 9 anos.

A controvérsia central gira em torno de trechos que, segundo os responsáveis, abordam questões de identidade de gênerode forma precoce, entrando em conflito com os valores da educação tradicional militar.


Reações nos Grupos de Família

A insatisfação ganhou força em grupos de mensagens instantâneas, onde pais expressaram revolta e questionaram a curadoria pedagógica da instituição.

  • Valores Militares: “O tipo de ensino que me apresentaram era de uma educação tradicional militar. Se fosse para ser diferente, eu levaria para outra escola”, afirmou um dos pais.
  • Questionamentos Prematuros: Uma mãe relatou que a leitura levou o filho a fazer perguntas sobre sexualidade em casa, assunto que ela considera inadequado para a faixa etária antes da puberdade.
  • Trecho Crítico: O ponto de maior tensão é uma passagem onde a protagonista manifesta o desejo de ter nascido menino, o que foi interpretado por parte dos pais como uma introdução ao tema da transição de gênero.

Sobre a Obra: “A Bolsa Amarela”

Publicado originalmente em 1976, o livro é um dos maiores clássicos da literatura infantojuvenil brasileira e já recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais.

A narrativa acompanha uma menina que esconde em uma bolsa amarela seus três grandes desejos: a vontade de ser gente grande, a de ter nascido menino e a de ser escritora. Historicamente, a crítica literária interpreta a obra como uma metáfora sobre a liberdade de expressão, a repressão dos desejos infantis e a busca pela identidade em um mundo adulto opressor.


Silêncio Institucional

Apesar da repercussão negativa entre os responsáveis, o CBMDF e a direção do Colégio Militar Dom Pedro II ainda não emitiram um posicionamento oficial sobre a manutenção ou retirada da obra da grade curricular.

O caso levanta, mais uma vez, o debate sobre o limite entre a autonomia pedagógica das escolas e os valores familiares no ambiente de ensino, especialmente em instituições de gestão militar, conhecidas pelo rigor disciplinar e conservadorismo nos costumes.