Por O Brasiliense
Em um mundo hiperconectado, marcado pelo excesso de estímulos digitais e pela aceleração permanente da rotina, a arquitetura de interiores assume um novo papel: o de refúgio e ferramenta de desaceleração. É sob essa premissa que a arquiteta Isabella Nalon projeta sua segunda participação na CASACOR São Paulo 2026.
Seu ambiente, batizado de A Poética do Ritmo, é uma ilha de conforto de 45 m² projetada para converter o que seria um espaço de passagem em um verdadeiro lugar de permanência, convivência e imersão cultural. Alinhado ao tema central da mostra neste ano — “Mente e Coração” —, o projeto investiga como o equilíbrio entre a razão e a emoção pode ditar escolhas mais autênticas na vida e no morar contemporâneo.
“Ao tocar os sentimentos, meu intuito é possibilitar que cada pessoa possa olhar para dentro, perceber o próprio ritmo e refletir sobre aquilo que realmente importa”, preconiza a arquiteta.
Estrutura Fluida e a Arquitetura dos Sentidos
O espaço abre mão de divisórias rígidas para se organizar em três setores fluidos, integrados visual e emocionalmente. Para guiar os visitantes por essa incursão pessoal, Isabella desenvolveu uma fragrância exclusiva para o ambiente, que combina notas de fundo de chá branco com uma seleção de flores, estimulando o olfato logo na entrada.
A volumetria e a marcenaria — executada pela Todeschini Arte Design — cumprem um papel fundamental na transição de ritmos do espaço:
- A Entrada: Um imponente pórtico de madeira com pé-direito de 4 metros dá as boas-vindas com uma aura convidativa.
- A Sala de Música: O forro de gesso é levemente rebaixado, reduzindo a altura do teto para criar uma atmosfera mais intimista e acolhedora.
- A Biblioteca: Vigas de madeira desenham o teto em uma composição ritmada que remete diretamente aos telhados das varandas das antigas casas brasileiras, conferindo profundidade e resgatando a nossa ancestralidade.
PALETA CROMÁTICA EM SINTONIA EMOCIONAL (Tintas Coral):
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│ 🟤 Sala de Música: Paredes e teto em tom "Café Místico" │
│ (Contraste dramático com o sofá de veludo verde) │
├──────────────────────────────────────────────────────────┤
│ 🔵 Biblioteca: Profundidade visual em "Chapada Diamantina"│
│ (Introduz imponência e o conceito de varanda antiga) │
└──────────────────────────────────────────────────────────┘
O Resgate Afetivo e o Ritual do Analógico

Em A Poética do Ritmo, o passado e o presente dialogam de forma harmoniosa através de objetos carregados de história e escolhas conscientes de consumo. Na entrada do ambiente, sob a iluminação suave de um abajur, destaca-se um buffet com portas em muxarabi que serve de base para um espelho de jacarandá da década de 1960. A peça, adquirida na tradicional loja L’Atelier (ponto de encontro de grandes designers das décadas de 60 e 70), pertenceu à família da arquiteta. “É o espelho em que me vejo desde que nasci”, relembra Isabella, transformando o objeto no símbolo máximo do olhar interior proposto pelo espaço.
Na parede ao lado, uma síntese poética do ambiente conecta três elementos: um quadro de flores (da loja MAU), simbolizando a arte e a natureza; um trompete, evocando a musicalidade; e um coração, de onde tudo emerge
Alta Fidelidade e Texturas na Sala de Música

Levada pelo pulsar a vida, a arquiteta Isabella Nalon desvela a arquitetura como sua
ferramenta para construir um ambiente imbuído de sentimentos | Foto: JP Image
Na contramão da efemeridade das plataformas de streaming, a sala de música celebra o ritual analógico dos discos de vinil e dos livros físicos. Aconchegados por um tapete da Via Star produzido com fios PET reciclados, os visitantes encontram um mobiliário que combina nostalgia e alta tecnologia:
- Design Visual: As paredes da área musical recebem o revestimento do painel Tetris, um ripado texturizado na sofisticada cor wallnut (nogueira).
- Curadoria Sonora: Um nicho projetado na marcenaria abriga uma seleção refinada de álbuns de vinil, escolhida em parceria com a Maison de La Musique.
- Áudio de Alta Performance: O toca-discos é acompanhado por um amplificador e caixas de som da renomada marca francesa Elipson. “Embora o ambiente retrate essa espécie de nostalgia, investimos na tecnologia, pois é fundamental apreciar com uma alta qualidade do som”, pondera Isabella.
À frente do equipamento de áudio, a parede é ocupada por obras de tamanhos variados do artista visual Matheus Guilherme. Dispostas de forma cadenciada, as peças criam uma composição inspirada em partituras musicais, onde cada quadro funciona como um peso, uma pausa ou uma função visual — uma verdadeira joia artística que sintetiza a harmonia do viver.
📝 Serviço
- Ambiente: A Poética do Ritmo (45 m²)
- Mostra: CASACOR São Paulo 2026
- Tema: Mente e Coração
- Parceiros de Destaque: Marcenaria Todeschini Arte Design, Móveis Bella Home, Tintas Coral, Tapetes Via Star, Áudio Maison de La Musique e Elipson.