O retorno de Bené: o crescimento dos negócios do operador após período de “submerção”

Por O Brasiliense

O empresário mineiro Benedito de Oliveira, conhecido nos bastidores políticos como Bené, consolidou sua trajetória em Brasília pela rapidez com que expandiu seus empreendimentos por meio de contratos governamentais. Após um período de afastamento forçado devido a escândalos e fiscalizações de órgãos de controle, o empresário retomou suas operações na capital federal com uma rede de influências renovada.

A Ascensão Meteórica e o Recuo Estratégico

Entre 2005 e 2009, as empresas de Bené — Gráfica Brasil, Dialog e Projects Brasil — saltaram de um faturamento de R$ 494 mil para R$ 87,3 milhões. Sua visibilidade aumentou ao atuar na montagem da estrutura de campanha petista, mas o envolvimento no polêmico episódio do restaurante Fritz, em Brasília, onde se discutia a contratação de uma equipe de contrainformação eleitoral, forçou sua saída temporária de cena.

A repercussão do caso o tornou alvo do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU), resultando em uma queda de quase 60% em seu faturamento no ano de 2010.

Estratégias de Influência e Contratos Milionários

Em 2011, Bené restabeleceu sua força operacional utilizando métodos que priorizavam a rede de contatos e a manutenção de acordos antigos:

  • Rede de Influências: O empresário atua indicando pessoas próximas para cargos estratégicos em ministérios.
  • Drible em Licitações: Utiliza a prorrogação de contratos antigos e a adesão a “atas de preços” (carona em pregões de outros órgãos), prática criticada pelo TCU por evitar a competição e a busca pela melhor vantagem para a administração pública.
  • Faturamento em 2011: Apenas nos primeiros cinco meses daquele ano, Bené arrecadou R$ 6,3 milhões, com previsões de atingir R$ 51 milhões em contratos.

O Estilo de Operação e Conexões Políticas

O trânsito de Bené pelo Ministério das Cidades foi facilitado pela nomeação de Danilo César Ribeiro da Silva Lima, ex-funcionário da Projects Brasil, para a coordenação de informática da pasta em março de 2011. Embora Bené tenha negado influência na indicação ou mesmo conhecer o servidor, o histórico da Projects Brasil já incluía irregularidades apontadas pelo TCU em licitações junto ao Ministério da Pesca.

Além dos gabinetes, Bené utiliza sua loja de vinhos, a Duvin Art, no Lago Sul, como ponto de encontro com lideranças partidárias, especialmente da cúpula do Partido Progressista (PP), reafirmando sua posição como um articulador que une o poder econômico à influência política no Distrito Federal.