Com entrada gratuita até 21 de junho, exposição propõe um diálogo entre a obra do mestre uruguaio, a experiência urbana de Brasília e a produção de nomes ligados à história cultural da capital
Foto: Diego Oliveira Camargo
Em cartaz no CCBB Brasília até 21 de junho, a mostra “Joaquín Torres García – 150 anos” transforma a capital em um ponto de encontro entre a arte latino-americana, a reflexão sobre o espaço urbano e a presença de artistas que ajudam a contar a história simbólica de Brasília. Com entrada gratuita e visitação na Galeria 5 e no Pavilhão de Vidro, a exposição reúne um amplo conjunto de obras do artista uruguaio em diálogo com trabalhos de dezenas de nomes da arte moderna e contemporânea.
O diferencial da etapa brasiliense está justamente no recorte curatorial. Em Brasília, a mostra desloca o olhar para a relação entre arte, cidade e espaço público, colocando a capital não apenas como sede da exposição, mas como parte ativa de sua narrativa. A curadoria de Saulo di Tarso propõe uma leitura em que a modernidade de Brasília conversa com os fundamentos do pensamento de Torres García, ampliando a discussão sobre formas de pertencimento, identidade e construção simbólica das cidades.
Nesse contexto, a participação de nomes ligados à cena local reforça a inteligência do projeto. Entre eles está o artista autodidata Josafá Neves, que aparece na mostra com a série “Diáspora”, acionando referências da cultura afro-brasileira e da ancestralidade negra. A presença de sua obra amplia o debate sobre memória, visibilidade e permanência, ao mesmo tempo em que reposiciona figuras históricas como Solano Trindade dentro de uma conversa maior sobre arte, território e reconhecimento.
Outro nome em destaque é Luiz Carlos Lessa Vinholes, artista e intelectual fortemente associado à trajetória cultural de Brasília. Ao inseri-lo no diálogo com Torres García, a exposição aproxima poesia, geometria e cidade, reafirmando o papel da capital como espaço de experimentação estética e de circulação de ideias fora dos eixos tradicionais da arte brasileira. A escolha reforça uma das camadas mais interessantes da mostra: a de que Brasília não aparece apenas como cenário moderno, mas como lugar de produção de linguagem.
A exposição também ganha força ao colocar em contraste duas noções de construção. De um lado, a Brasília planejada, nascida do projeto urbanístico moderno do século 20. De outro, a noção de universalismo construtivo associada a Torres García, em que signos, materiais simples e matrizes ancestrais ajudam a formar uma visualidade universal. Ao aproximar esses dois universos, a mostra sugere que a cidade não se constrói apenas com concreto, traço e planejamento, mas também com símbolos, heranças culturais e experiências coletivas.
Com cerca de 500 itens, entre obras e documentos, a exposição celebra um dos grandes nomes da arte moderna latino-americana e, ao mesmo tempo, amplia o mapa de conexões entre passado e presente, entre Montevidéu e Brasília, entre tradição e contemporaneidade. O resultado é uma mostra que não apenas homenageia Joaquín Torres García, mas também convida o público a reler a própria capital por meio da arte.
Selecionada no Edital CCBB 2023-2025 e viabilizada pela Lei Rouanet, a mostra tem classificação livre. Os ingressos podem ser retirados gratuitamente na bilheteria ou pela plataforma do CCBB.
Serviço – Joaquín Torres García – 150 anos
Local: CCBB Brasília
Endereço: SCES Trecho 02, Lote 22, Edifício Tancredo Neves – Setor de Clubes Sul – Galeria 5 e Pavilhão de Vidro
Data: de 31 de março a 21 de junho
Horário: Terça a domingo, das 9h às 21h (entrada até às 20h40)
Classificação: livre
Ingressos em www.bb.com.br/cultura e na bilheteria do CCBB Brasília
Transporte gratuito de quinta a domingo, saindo da Biblioteca Nacional
Gratuito
Itinerância
CCBB Brasília (31 de março a 21 de junho de 2026)
CCBB BH (15 de julho a 12 de outubro de 2026)