Plataforma X restringe conteúdo no Brasil após jornalista classificar o país como “narco-estado” com base em documento do governo Trump.
JUDICIÁRIO — Por determinação da Justiça brasileira, a plataforma X (antigo Twitter) restringiu a exibição de uma publicação do jornalista Paulo Figueiredo para usuários em território nacional. Na postagem removida, o comunicador comentava um relatório do Departamento de Estado dos Estados Unidos que aponta o Brasil como uma das principais fontes globais de substâncias químicas utilizadas na produção de drogas ilícitas.
Na publicação, Figueiredo — que reside nos Estados Unidos e já teve contas bloqueadas anteriormente por ordem do ministro Alexandre de Moraes (STF) — afirmou que o mundo agora saberia que o Brasil é um “narco-estado”. “Alexandre pode espernear e censurar à vontade! A verdade sempre será revelada”, escreveu o jornalista antes da intervenção judicial.
O Embate sobre a Censura
Figueiredo afirmou ao portal Metrópoles que não foi alertado previamente sobre a retirada do conteúdo. Ele classificou a medida como um ato de censura, argumentando que sua postagem era apenas um comentário sobre um documento oficial do governo americano. “Os censores partiram para a censura. Mesmo que seja um breve comentário sobre um relatório oficial […] Depois, acabam sancionados e fingem não saber o porquê”, rebateu o jornalista em uma conta secundária que ainda permanecia ativa.
A restrição atingiu o perfil principal de Figueiredo, intensificando o debate sobre os limites da liberdade de expressão e a soberania das decisões judiciais brasileiras sobre plataformas de tecnologia estrangeiras, especialmente em casos que envolvem críticas diretas a membros da Suprema Corte.
O Relatório do Governo Trump
O documento que serviu de base para a postagem polêmica foi produzido pela administração de Donald Trump. O relatório identifica o Brasil como uma peça-chave na cadeia logística do tráfico internacional, figurando entre as jurisdições que são “principais fontes de substâncias químicas precursoras” para a fabricação de narcóticos.
No relatório, o Brasil aparece em uma lista ao lado de países como:
- América Latina: Colômbia, Bolívia, Venezuela e México.
- Ásia e outros: China, Índia, Afeganistão, Tailândia e Coreia do Norte.
A inclusão do país nesta lista reforça a pressão diplomática sobre as políticas de controle de fronteiras e fiscalização de insumos químicos, tema que tem sido central na agenda de segurança do governo norte-americano para o hemisfério ocidental.
Países Citados como Fontes de Precursores Químicos (Relatório EUA)
| Região | Países Identificados |
|---|---|
| Américas | Brasil, Colômbia, México, Bolívia, Venezuela |
| Ásia | China, Índia, Afeganistão, Tailândia, Coreia do Norte |