Juízes Recebem Mais em Benefícios do que em Salário Pela Primeira Vez

Juízes e desembargadores do país receberam em 2024 mais em penduricalhos e adicionais do que com o próprio salário-base.

Em 2024, pela primeira vez na história, juízes e desembargadores do Brasil receberam mais em penduricalhos e adicionais do que com o próprio salário-base. O levantamento, realizado pela ONG Transparência Brasil a pedido do UOL, analisou dados de 21 tribunais — federais e estaduais — e um órgão do Judiciário em 17 estados e no Distrito Federal.

Custo Bilionário dos Benefícios

Os pagamentos adicionais aos magistrados somaram R$ 7 bilhões em 2024, superando significativamente o custo do salário-base, que foi de R$ 5,4 bilhões no mesmo período, considerando a inflação. Esses penduricalhos incluem auxílios, bônus e reembolsos isentos de Imposto de Renda, permitindo que os vencimentos ultrapassem o teto constitucional de R$ 46,3 mil.

Impacto no Orçamento e no Debate Público

O crescimento expressivo desses pagamentos adicionais reforça a discussão sobre a necessidade de reformulação da estrutura salarial do Judiciário. Os benefícios, muitas vezes classificados como artifícios para inflacionar salários, geram críticas quanto à transparência e equidade na remuneração do setor público.

A divulgação desses dados alimenta o debate sobre os privilégios concedidos à elite do funcionalismo e o impacto dessas despesas nos cofres públicos. O tema deve continuar em evidência nos próximos meses, com possíveis desdobramentos no Congresso e nos órgãos de controle.