Itaú Unibanco confirma compromisso para comprar certos ativos do BRB

Banco informou à CVM que uma de suas subsidiárias assinou instrumento para aquisição condicionada de ativos do Banco de Brasília; segundo o grupo, a operação é considerada imaterial para fins de fato relevante

Itaú Unibanco confirmou nesta quarta-feira (15) que uma de suas subsidiárias celebrou um instrumento pelo qual se comprometeu a adquirir, mediante cumprimento de determinadas condições, certos ativos do Banco de Brasília (BRB). A informação foi prestada oficialmente pelo banco em resposta a um ofício da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), depois de notícia publicada pelo Correio Braziliense sobre negociações envolvendo ativos da instituição brasiliense. 

No comunicado enviado à CVM, assinado pelo diretor de Relações com Investidores do Itaú, Gustavo Lopes Rodrigues, o banco afirmou que os valores envolvidos são “imateriais” para a companhia, segundo seus próprios critérios, e por isso a transação não se enquadra como fato relevante nos termos da legislação do mercado de capitais. O documento, porém, não informa valoresquais ativos estão envolvidos nem o cronograma para eventual conclusão do negócio. 

O questionamento da CVM teve origem em reportagem segundo a qual o chairman do BTG PactualAndré Esteves, afirmou estar avaliando ativos do BRB para aquisição, com exceção daqueles provenientes do Banco Master, e mencionou que Itaú e Bradesco também negociavam com o banco público carteiras de contratos de empréstimos concedidos a estados e municípios com aval da União. Esse trecho aparece reproduzido no próprio ofício da CVM enviado ao Itaú. 

Segundo publicação da coluna Capital S/A, do Correio Braziliense, o Bradesco também estaria na negociação, em consórcio com o Itaú, e teria respondido à CVM informando que o valor efetivo da operação seria inferior ao montante mencionado na notícia original. Até o momento, porém, o documento oficial do Bradesco não apareceu nas buscas que consegui confirmar diretamente. 

A confirmação do Itaú surge em um momento de forte pressão sobre o BRB, que tenta reorganizar sua estrutura após os desdobramentos do caso Master. Em reportagens recentes, o Correio Braziliense informou que a instituição vem buscando vender ativos e recompor caixa, enquanto negociações paralelas com outros grupos financeiros também seguem no radar do mercado. 

Com isso, a manifestação do Itaú dá caráter oficial a uma operação que até então circulava apenas no campo das especulações e bastidores. Ainda assim, como o banco não detalhou o tamanho nem a natureza exata dos ativos, o mercado segue sem conhecer a dimensão real do acordo — e o caso permanece cercado por dúvidas sobre seus impactos para o BRB e para o processo de reestruturação em curso.