Comportamento & Saúde | Tendências Perigosas nas Redes
O Brasiliense — O termo looksmaxxing — subcultura online voltada ao aperfeiçoamento estético extremo masculino — tem furado a bolha dos fóruns de internet e alcançado grande público em plataformas como o TikTok. No entanto, com a popularização desse conceito, uma prática perigosa e sem comprovação científica ganhou holofotes: o bonesmashing, ato de golpear o próprio rosto repetidamente com martelos ou pistolas de massagem na tentativa de alterar a estrutura óssea facial.
O maior símbolo dessa tendência é o jovem americano Braden Peters, de 20 anos, conhecido nas redes como Clavicular. Considerado o looksmaxxer mais famoso do mundo, ele começou a praticar o método ainda na adolescência — chegando a ter o martelo confiscado pela própria mãe — e hoje é um dos principais responsáveis por viralizar as técnicas de remodelamento facial para o grande público.
Incentivada por influenciadores como Peters, a prática busca criar mandíbulas mais marcadas, queixos projetados e maçãs do rosto proeminentes. Contudo, especialistas e cirurgiões plásticos alertam que a técnica pode levar a lesões graves, deformidades permanentes e danos neurológicos.
O que é o Looksmaxxing e suas divisões
Originado em fóruns virtuais nos anos 2010, o movimento prega que a aparência física determina o sucesso social, profissional e afetivo de um indivíduo. As técnicas divulgadas por seus adeptos costumam ser divididas em duas categorias:
- Softmaxxing: Práticas consideradas inofensivas ou convencionais, como cuidados com a pele (skincare), alimentação saudável, treinos físicos e corte de cabelo.
- Hardmaxxing: Intervenções agressivas e de alto risco, que incluem cirurgias plásticas, uso indevido de esteroides, peptídeos e métodos caseiros como o bonesmashing.
A falsa premissa científica da Lei de Wolff
Os praticantes do bonesmashing justificam a eficácia da dor baseando-se em uma interpretação equivocada da Lei de Wolff — teoria do século XIX desenvolvida pelo cirurgião alemão Julius Wolff, que aponta que ossos saudáveis se adaptam à carga mecânica.
Entretanto, médicos destacam que a aplicação desse conceito em traumas mecânicos no rosto é completamente equivocada.
Alertas da comunidade médica
A disseminação de tutoriais de bonesmashing fez com que médicos publicassem alertas formais na Revista de Estomatologia e Cirurgia Oral e Maxilofacial. O médico brasileiro Ricardo Grillo enfatizou em artigo que a prática acarreta riscos gravíssimos à saúde:
“A lista de riscos é enorme. O trauma não é controlado, o que pode causar desfiguração estética, assimetrias faciais, formação de tecido cicatricial nos músculos, além de danos vasculares e neurológicos graves.”
Cirurgiões plásticos como Joshua Rosenberg, do Hospital Mount Sinai, também ressaltam que tentar fraturar a região orbital ou as maçãs do rosto costuma resultar no afundamento da bochecha e na perda funcional, e não na melhoria do visual.