Após reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que o país tem condições de atravessar o cenário externo adverso, mas reforçou a necessidade de fortalecer as contas públicas e manter as reformas
O Brasil recebeu uma sinalização positiva do Fundo Monetário Internacional (FMI) em meio ao ambiente de incerteza global provocado pela guerra no Oriente Médio. Em publicação feita nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, após encontro com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a diretora-geral do organismo, Kristalina Georgieva, afirmou que o país está “relativamente bem posicionado” para enfrentar a turbulência externa.
A avaliação, no entanto, veio acompanhada de um recado claro. Na mesma manifestação, Georgieva destacou que os esforços para fortalecer as finanças públicas são bem-vindos e que a continuidade das reformas pode ampliar ainda mais a resiliência da economia brasileira diante de choques internacionais. A fala ocorreu durante as Reuniões de Primavera do FMI e do Banco Mundial, realizadas em Washington.
A leitura do Fundo combina reconhecimento da posição relativa do Brasil com cautela em relação aos riscos domésticos. No campo da atividade, o FMI projeta crescimento de 1,9% para o PIB brasileiro em 2026, patamar que coloca o país em situação menos vulnerável do que outras economias mais expostas ao choque energético. O próprio Fundo indica que o Brasil se beneficia, em alguma medida, de sua condição de exportador líquido de energia, em um cenário de preços mais altos do petróleo.
Ainda assim, o pano de fundo internacional segue desafiador. No novo World Economic Outlook, o FMI reduziu a previsão de crescimento global para 3,1% em 2026, sob a hipótese de um conflito limitado no Oriente Médio, e alertou que o cenário pode piorar caso a crise se prolongue. A instituição também advertiu que o choque atual tende a pressionar inflação, juros e atividade econômica em várias regiões do mundo.
É justamente nesse contexto que o Fundo mantém o olhar atento sobre a situação fiscal brasileira. No Fiscal Monitordivulgado nesta semana, o FMI voltou a enfatizar a necessidade de ajustes críveis e bem sequenciados nas contas públicas em um ambiente global de endividamento crescente. O relatório projeta que a dívida pública global alcançará 100% do PIB em 2029, um ano antes do estimado anteriormente.
No caso do Brasil, séries associadas ao FMI e disponíveis publicamente apontam trajetória ainda elevada para a dívida bruta do governo geral, em torno de 95,0% do PIB em 2026 e 97,0% em 2027, mantendo o tema fiscal no centro das preocupações sobre a economia doméstica. O diagnóstico reforça por que o Fundo combina elogio à posição relativa do país com pressão por maior disciplina fiscal e avanço das reformas estruturais.
A mensagem do FMI, portanto, é dupla: o Brasil chega a este momento de instabilidade global em condição melhor do que parte dos emergentes, mas essa vantagem não elimina fragilidades internas. Para o organismo, a capacidade de o país atravessar a turbulência com menos danos dependerá, em grande medida, de sua habilidade de preservar a confiança, melhorar o quadro fiscal e sustentar a agenda de reformas.