Exclusivo: Marqueteiros de Lula e Dilma teriam recebido mais de US$ 10 milhões de Nicolás Maduro em 2012

Brasília — Uma bomba voltou a reverberar no cenário político brasileiro. Documentos e relatos de delações judiciais indicam que os marqueteiros João Santana e Mônica Moura, responsáveis pelas campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva (2006) e Dilma Rousseff (2010), receberam mais de US$ 10 milhões em dinheiro vivo diretamente do então chanceler venezuelano Nicolás Maduro, em 2012, durante a campanha de reeleição de Hugo Chávez na Venezuela. 

Pagamentos em dinheiro vivo e caixa 2

Segundo depoimentos prestados à Operação Lava Jato e tornados públicos nos últimos dias, os repasses teriam sido feitos sem contrato e de forma parcelada, com valores entregues em espécie, muitas vezes consideradas práticas de caixa 2

Em inúmeros trechos do relato, Mônica Moura detalha que os pagamentos eram semanais, com quantias que variavam entre US$ 300 mil e US$ 800 mil, muitas vezes entregues pessoalmente pelo próprio Maduro em prédios oficiais venezuelanos — como a chancelaria ou o Palácio de Miraflores. 

“Ele me pagou, quase semanalmente, em dinheiro. […] Ele próprio me entregava malas de dinheiro”, afirmou Moura em seu depoimento à Lava Jato, segundo trecho divulgado por veículos brasileiros. 

Indicação e articulação política

De acordo com relatos, a contratação de Santana e Moura para atuar na campanha de Chávez em 2012 teria ocorrido por meio de indicações políticas. Políticos do PT — em especial o ex-deputado José Dirceu — teriam intermediado a aproximação entre os marqueteiros e o governo venezuelano, inclusive organizando viagens do casal a Caracas. Ainda segundo as narrativas, o primeiro contato foi viabilizado por Lula.

Relação com empreiteiras e valores adicionais

Além dos valores pagos pelo governo venezuelano, os marqueteiros declararam ter recebido outros milhões de dólares de empreiteiras brasileiras. Conforme os relatos, foram cerca de US$ 2 milhões da Andrade Gutierrez e US$ 7 milhões da Odebrecht, totalizando perto de US$ 19 milhões — embora parte dessas quantias, segundo os depoentes, nunca tenha sido quitada.

Consequências jurídicas

Santana e Moura foram alvo de investigações no âmbito da Lava Jato e chegaram a ser condenados pela justiça brasileira por crimes relacionados a corrupção e caixa 2. Porém, nos últimos anos, as condenações foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em dezembro de 2023, o ministro Edson Fachin anulou as sentenças, e em junho de 2024 o ministro Dias Toffoli anulou provas apresentadas pela Odebrecht contra o casal.

O que muda agora

Com a nova repercussão das declarações e vídeos que fazem parte dos autos da Lava Jato, o caso reacende o debate sobre a internacionalização de estratégias de campanha e os limites legais entre atuação profissional e práticas ilegais em campanhas no exterior.

Especialistas ouvidos por O Brasiliense ressaltam que, mesmo com as anulações de sentenças, os relatos continuam a ser um documento histórico valioso para entender como relações políticas, interesses eleitorais e financiamento fora dos canais oficiais podem se entrelaçar em contextos eleitorais sensíveis.