Dupla protocolou centenas de processos contra empresas usando documentos forjados para obter indenizações na Justiça
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu, nesta segunda-feira, 31/3, dois universitários de Direitoacusados de integrar um esquema de fraudes processuais que resultou em prejuízos superiores a R$ 200 mil. A dupla foi alvo da Operação Scammers, deflagrada pela 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro), com apoio do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT).
Segundo as investigações, os estagiários protocolaram centenas de ações cíveis de cobrança e repetição de indébito, utilizando boletos e comprovantes de pagamento falsos para alegar cobranças indevidas feitas por grandes empresas. As ações foram ajuizadas nos Juizados Especiais, onde, por lei, não é obrigatória a presença de advogado para causas de até 20 salários mínimos (R$ 30.360).
⚠️ Estratégia de golpe: ações repetidas, boletos falsos e acordos judiciais
O esquema consistia em alegar que haviam sido cobrados injustamente por empresas e que, para não ter o nome negativado, haviam quitado os valores — tudo com documentos forjados. Em muitos casos, a mesma empresa foi processada mais de 20 vezes, com ações idênticas em seu objeto.
Após os processos serem protocolados, a estratégia explorava o prazo judicial de contestação: se a empresa não apresentasse defesa, a sentença favorecia os estagiários. Em outros casos, o setor jurídico das companhias optava por acordos judiciais, diante da aparente legalidade da documentação apresentada.
Esses acordos acabavam homologados pela Justiça, o que resultava no pagamento de indenizações. Ao longo da investigação, o total arrecadado pelos golpistas ultrapassou os R$ 200 mil.
🕵️♂️ Documentos forjados e lavagem de dinheiro
Durante a apuração, a polícia confirmou que os boletos apresentados nos processos eram falsos e que os supostos pagamentos nunca foram realizados. Os universitários também são investigados por lavagem de dinheiro, já que os valores obtidos por meio dos acordos judiciais eram transferidos e movimentados com o objetivo de dificultar o rastreamento.
A dupla foi autuada por estelionato, uso de documento falso, associação criminosa e lavagem de capitais. A PCDF segue investigando se outros envolvidos — como eventuais beneficiários, advogados ou técnicos — participaram da fraude.
A operação reforça os riscos de fraudes processuais no ambiente digital, especialmente nos juizados especiais, onde a simplicidade dos trâmites pode ser explorada por criminosos com conhecimento técnico.
#FraudeJudicial #Direito #Estelionato #PCDF #OperaçãoScammers #BoletosFalsos #JustiçaDoDF