Embrapa apresenta estratégias para a agropecuária enfrentar o impacto do El Niño 2026/2027

Adoção do Zarc, conservação do solo, gestão hídrica e nutrição animal são recomendadas para mitigar riscos nas cinco regiões do país

Por Redação O Brasiliense

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apresentou um conjunto de recomendações técnicas para orientar produtores rurais frente aos impactos do fenômeno El Niño no ciclo 2026/2027.

As projeções meteorológicas indicam cenários opostos para o país: enquanto a Região Sul enfrentará chuvas intensas e risco de encharcamento de solos, a maior parte do Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste lidará com temperaturas acima da média, irregularidade de precipitações e déficit hídrico.

A orientação da Embrapa é que o setor produtivo antecipe decisões e aplique o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) como ferramenta central de planejamento.

Recomendações por Região

1. Região Sul

  • Cenário: Chuvas fortes e concentradas entre setembro e dezembro.
  • Riscos: Erosão, perda de nutrientes, lixiviação, menor radiação solar e dificuldades no manejo de lavouras de soja, milho, arroz e cereais de inverno.
  • Ações: Escalonamento de semeadura, reforço no manejo de conservação do solo e drenagem, além de planejamento logístico e de secagem na microbacia.

2. Região Nordeste

  • Cenário: Altas temperaturas e secas mais pronunciadas no final de 2026.
  • Riscos: Comprometimento de lavouras e escassez de água para o rebanho.
  • Ações: Fortalecimento da infraestrutura hídrica (cisternas e barreiros), adoção de culturas resistentes (como o sorgo em substituição ao milho), uso de reserva de palma-forrageira e adequação da taxa de lotação pecuária.

3. Região Norte

  • Cenário: Atraso na chegada das chuvas, redução do nível dos rios e altas temperaturas (especialmente em AM, AC, RO e RR).
  • Riscos: Gargalos logísticos e estresse térmico em culturas e animais.
  • Ações: Escolha de cultivares precoces, ajuste no calendário de plantio de grãos e mandioca de acordo com as cotas dos rios, sombreamento e reservatórios de água limpa para o gado.

4. Região Sudeste

  • Cenário: Disparidade entre o sul (chuvas dentro/acima da média em SP e RJ) e o norte mineiro e capixaba (tempo seco). Onda de calor generalizada.
  • Riscos: Estresse térmico no café em fase de floração e enchimento de grãos.
  • Ações: Conservação da umidade do solo, manejo de irrigação e formação de reservas de forragem.

5. Região Centro-Oeste

  • Cenário: Altas temperaturas e irregularidade pluviométrica.
  • Riscos: Atraso na semeadura da safra principal e impacto nas lavouras de segunda safra.
  • Ações: Plantio direto para retenção de umidade no solo e monitoramento contínuo dos boletins agroclimáticos do Zarc.
Rodapé — O Brasiliense