Dívida pública brasileira dispara e deve encerrar 2026 em 96,5% do PIB, projeta FMI

Puxado por descompasso fiscal, avanço de 12,6 pontos percentuais coloca o país com a segunda maior escalada de endividamento do G20

A saúde financeira do Brasil acendeu o sinal de alerta no cenário macroeconômico internacional. O endividamento bruto do país deve encerrar o ano de 2026 atingindo o patamar de 96,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O dado consta em um levantamento realizado pelo Farol da Oposição, boletim técnico do Instituto Teotônio Vilela, estruturado a partir das projeções oficiais do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O relatório aponta uma deterioração acelerada na relação entre o PIB e as contas públicas ao longo dos últimos quatro anos. Ao final de 2022, a dívida bruta brasileira situava-se em 83,9%. Com o salto projetado para 96,5% até dezembro, o país registra uma expansão de 12,6 pontos percentuais em seu passivo em apenas um ciclo de governo.

Liderança desconfortável no ranking do G20

Esse ritmo de crescimento coloca o Brasil em uma posição desconfortável no tabuleiro global. Entre as maiores economias do mundo que integram o G20, o país apresenta a segunda maior escalada de endividamento público no período pesquisado. O topo do ranking é ocupado pela China, que computou uma alta severa de 29,6 pontos percentuais sob o peso de pesados estímulos e pacotes de socorro a governos locais e ao setor imobiliário.

O desempenho das contas brasileiras também decepciona quando confrontado diretamente com seus pares no bloco dos principais mercados emergentes. Outras nações em desenvolvimento demonstraram maior resiliência e rigor no controle de seus orçamentos:

PaísVariação da Dívida (2022-2026)Desempenho Fiscal
México+8,9 p.p.Crescimento moderado dos passivos.
África do Sul+8,2 p.p.Expansão contida apesar de crises estruturais.
Argentina-13,9 p.p.Único emergente com forte retração da dívida após choques fiscais.

Fantasma da crise de 2015 volta a assombrar

A atual trajetória das finanças da União reavivou na memória de analistas do mercado financeiro os piores momentos da crise econômica registrada há uma década, entre os anos de 2015 e 2016, sob a gestão da então presidente Dilma Rousseff (PT).

Naquela ocasião, a escalada do endividamento bruto foi semelhante em intensidade, saindo de 61,6% e batendo em 77,4% do PIB em meio a uma recessão técnica severa. Economistas alertam que a proximidade de romper a simbólica barreira dos 100% do PIB pode pressionar a curva de juros futuros de longo prazo, encarecer o crédito para o setor produtivo nacional e afugentar o investimento estrangeiro direto no país.