Distrito Federal registra mais de 2,6 mil mortes por doenças crônicas não transmissíveis até maio de 2026

Doenças cardiovasculares e cânceres lideram os óbitos na capital; OMS alerta que tratamento contínuo exige atenção reforçada à segurança do paciente para evitar erros de medicação e atrasos diagnósticos.

Por Redação O Brasiliense

Brasília — O Distrito Federal contabilizou 2.654 mortes provocadas por Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) entre janeiro e maio de 2026, segundo dados do Painel de Monitoramento da Mortalidade do Ministério da Saúde. O panorama da capital reflete um desafio global de saúde pública, com destaque para as doenças cardiovasculares e as neoplasias (cânceres) como as principais causas de óbitos no período.

Os dados locais mostram que as doenças cardiovasculares lideram os registros no DF, seguidas de perto pelos cânceres, pelo diabetes e pelas enfermidades respiratórias crônicas.

Mortalidade por DCNTs no DF e no Brasil (jan-mai/2026)

Categoria da DoençaÓbitos no Distrito FederalÓbitos no Brasil
Doenças Cardiovasculares1.183124.942
Neoplasias (Cânceres)1.13293.889
Diabetes Mellitus17922.163
Doenças Respiratórias Crônicas16016.832
Total do Período2.654257.826

Segurança do paciente vai além dos hospitais

O volume de casos serve de alerta para o Dia Mundial da Segurança do Paciente, celebrado em 17 de setembro. Com o tema “Cuidados seguros para doenças não transmissíveis” e o lema “Safe care for life!”, a Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que o acompanhamento de longo prazo aumenta a exposição a riscos como erros de medicação, falhas de comunicação entre equipes e atrasos em diagnósticos.

Segundo estimativas da OMS, cerca de 10% dos pacientes sofrem algum dano evitável durante o atendimento de saúde. No tratamento de oncologia, essa taxa pode atingir um a cada três pacientes.

“A segurança não começa no hospital nem termina na alta. No caso das doenças crônicas, trata-se de um cuidado contínuo de anos. Comunicação, uso correto de medicamentos e integração assistencial precisam funcionar ao longo de todo o percurso do paciente”, explica Gilvane Lolato, gerente geral de Operações da Organização Nacional de Acreditação (ONA).

Prevenção e engajamento do paciente

Especialistas ressaltam que o combate às DCNTs exige a redução de fatores de risco modificáveis, como sedentarismo, tabagismo, consumo nocivo de álcool e alimentação inadequada, além da adesão ativa do paciente ao próprio tratamento.

“Cuidar da saúde não se resume a procurar atendimento quando surge um sintoma. Consultas periódicas, exames de rotina, controle de diagnósticos prévios e tirar dúvidas sobre prescrições médicas são atitudes indispensáveis para evitar complicações graves”, pontua o médico clínico geral Maurício Perroud, membro da ONA.

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