Por O Brasiliense — Rafael Fogaça / AscomSDA
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal foi palco, nesta terça-feira (9), de um duro embate técnico e político envolvendo a saúde financeira do Banco de Brasília (BRB). Durante a audiência pública comandada pelo colegiado, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) cobrou máxima transparência da diretoria da instituição sobre o plano de reestruturação do banco, demonstrando profunda preocupação com os impactos da crise sobre os servidores públicos, os programas sociais e o patrimônio da população do Distrito Federal.
A oitiva contou com o depoimento do atual presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza. O debate foi instituído a partir de um Grupo de Trabalho criado no Senado para acompanhar os desdobramentos de fraudes e a deterioração de ativos envolvendo o Banco Master, cujas operações atingiram em cheio o caixa da instituição estatal candanga.
“O BRB não é mais um problema só do DF, ele é um problema do Brasil”, alertou Damares, lembrando que a fragilidade institucional da autarquia põe em risco, inclusive, depósitos judiciais de tribunais de todo o país.
“Sopa de Números” e o Destino do Fundo Constitucional
Em sua fala, a parlamentar criticou a falta de clareza nas planilhas apresentadas e exigiu uma definição exata do tamanho do prejuízo real. “Qual é o valor do rombo? Nós temos uma sopa de números que a gente não consegue entender”, pontuou. Damares também questionou a paternidade do plano de socorro, indagando se a estratégia foi desenhada pelo corpo técnico do banco ou imposta pelo Palácio do Buriti.
A senadora colocou sob forte questionamento as garantias que o Governo do Distrito Federal (GDF) está oferecendo para viabilizar a salvação da praça financeira e quis saber se os direitos dos trabalhadores locais serão sacrificados:
- Fundo Constitucional: Questionou se as verbas federais destinadas à segurança, saúde e educação do DF estão sendo empenhadas como garantia.
- Concursos e Salários: Indagou se o plano de recuperação prevê o congelamento de reajustes salariais e a suspensão de novos certames públicos.
- Programas Sociais: Manifestou temor pela continuidade dos mais de 30 programas de assistência social geridos pelo BRB no DF, embora tenha se posicionado frontalmente contra uma eventual liquidação judicial da estatal.
Presidente do BRB Confirma Transações de R$ 30 Bilhões
Em resposta aos questionamentos da CAE, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, trouxe a público dados numéricos de grande impacto. Ele confirmou formalmente que o volume de transações efetuadas entre o BRB e o Banco Master atingiu a impressionante cifra de R$ 30 bilhões entre o ano de 2024 e outubro de 2025.
Para estancar a crise, Souza detalhou que o banco necessita de um aporte emergencial de R$ 8,8 bilhões. Segundo o gestor, o cálculo foi balizado com base no universo de R$ 21,9 bilhões que o BRB detém em ativos totais, cruzado com a urgente necessidade de provisão para calotes e perdas financeiras.
De acordo com o plano apresentado pelo executivo, o montante bilionário para recompor o caixa da instituição virá de duas fontes principais: um empréstimo de R$ 6,6 bilhões estruturado junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a captação de R$ 2,2 bilhões por meio da securitização e venda de dívidas pertencentes ao governo do Distrito Federal. A comissão do Senado informou que continuará auditando os passos da reestruturação.