Como foi a prisão do empresário “Bené” em Brasília por agentes da Polícia Federal

Por O Brasiliense 

A escalada das investigações que miraram o financiamento de campanhas políticas e desvios de recursos públicos teve um de seus episódios mais marcantes em Brasília com a prisão do empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, conhecido no meio político como “Bené”. Operador financeiro e amigo próximo do ex-governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, Bené foi alvo de uma ação cirúrgica e coordenada pela Polícia Federal.

Ao contrário dos tradicionais cumprimentos de mandados nas primeiras horas da manhã em residências, a captura do empresário ocorreu em via pública e exigiu monitoramento em tempo real por parte do aparato de inteligência da PF.

Abordagem no Lago Norte

No dia 15 de abril, pouco antes das 11h, agentes federais interceptaram o empresário enquanto ele trafegava pela principal via do Lago Norte, um dos bairros de maior poder aquisitivo da capital federal. Bené, que vinha sendo seguido discretamente pelas equipes de campo, foi obrigado a encostar o veículo de luxo que conduzia para que os policiais dessem voz de prisão.

A dinâmica da operação foi desenhada para evitar qualquer tentativa de fuga ou destruição de provas, uma vez que o investigado circulava frequentemente entre Brasília e Belo Horizonte transportando documentos e valores de interesse dos inquéritos.

A Denúncia da Procuradoria-Geral da República

A prisão preventiva serviu como antessala para as pesadas acusações formais protocoladas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na esteira das investigações, Bené foi denunciado sob a acusação de capitanear uma complexa engrenagem de arrecadação de propina junto a grandes conglomerados empresariais.

De acordo com o Ministério Público Federal, os valores ilícitos obtidos pelo empresário tinham como destino final o atendimento a demandas financeiras e o enriquecimento do grupo político liderado por Fernando Pimentel, consolidando o nome de Bené como um dos personagens centrais das investigações de corrupção corporativa daquela década.