Celina Leão e comitiva do DF vão ao Banco Central em busca de desfecho para o BRB

Reunião com Gabriel Galípolo e diretoria colegiada do BC tenta destravar assinatura do empréstimo de R$ 6,6 bilhões; banco estatal ainda deve balanço de 2025

Um dia após declarar que as pendências burocráticas locais haviam sido superadas, a governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão (PP), embarca para uma agenda decisiva no coração do sistema financeiro nacional. Nesta terça-feira (14/7), a chefe do Executivo local, acompanhada do presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, e do secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, se reúne com a cúpula do Banco Central (BC) em busca de uma solução definitiva para viabilizar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões.

A comitiva de Brasília será recebida pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, além de nomes estratégicos da autarquia: os diretores Ailton de Aquino Santos (Fiscalização) e Gilneu Francisco Vivan (Regulação), além do procurador-geral da instituição, Cristiano Cozer.

O Nó no Caixa e o Balanço Atrasado de 2025

O socorro financeiro, estruturado via Fundo Garantidor de Crédito (FGC), tornou-se uma questão de sobrevivência institucional para o BRB. O banco público do DF sofreu um forte abalo em sua liquidez após herdar prejuízos bilionários decorrentes da aquisição de carteiras de crédito podres e falsificadas do Banco Master.

A gravidade da situação se reflete diretamente na contabilidade da instituição:

Apagão Contábil: O BRB descumpriu o prazo regulamentar exigido pelo Banco Central — que expirou em março de 2026 — e ainda não publicou o seu balanço financeiro referente ao ano de 2025. A diretoria do banco aguarda justamente o aporte dos R$ 6,6 bilhões para lançar os recursos no balanço e evitar uma declaração formal de insolvência.

Por que o contrato ainda não foi assinado?

Embora o ministro do STF, Luiz Fux, tenha homologado o acordo de salvação em maio, o dinheiro ainda não entrou na conta do GDF (acionista majoritário que repassará o aporte ao banco).

O entrave reside na resistência do sindicato de bancos privados que deve fornecer as cartas de fiança para a operação. As instituições financeiras exigem garantias mais robustas e líquidas do que os repasses constitucionais do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e Municípios (FPM) oferecidos pelo Distrito Federal.

Linha do Tempo do Impasse:

[28 de Maio] ──► Ministro Luiz Fux (STF) homologa o acordo de socorro ao BRB
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[09 de Junho] ──► Pressionado por bancos fiadores, GDF aprova PL na CLDF sob forte desgaste político
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[10 de Julho] ──► Celina Leão afirma que reunião resolveu pendências burocráticas do GDF
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[14 de Julho (Hoje)] ──► Comitiva do DF vai ao Banco Central negociar aval regulatório final

A reunião desta terça-feira com a diretoria do Banco Central é vista como a última cartada técnica para dar segurança jurídica aos bancos garantidores privados e públicos (como Caixa e Banco do Brasil) e, finalmente, destravar a assinatura do contrato que evitará a intervenção ou liquidação da principal ferramenta de fomento do Distrito Federal.