Estudo inédito revela que crianças brasileiras de 5 anos estão abaixo da média global em numeracia; seminário em Brasília debate políticas de equidade
Brasília – A capital federal recebe, nesta terça-feira (12), o seminário “Aprendizagem e bem-estar na Primeira Infância: evidências para as políticas públicas”. O evento, realizado no Auditório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), marca o lançamento dos dados brasileiros do Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-estar na Primeira Infância (IELS), coordenado pela OCDE.
O levantamento, viabilizado por uma coalizão liderada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, traça um diagnóstico profundo sobre o desenvolvimento de crianças de 5 anos nos estados do Ceará, Pará e São Paulo. Os resultados revelam um cenário de contrastes: enquanto a literacia emergente (502 pontos) está levemente acima da média internacional, a numeracia (456 pontos) aparece como um desafio crítico, situando-se 44 pontos abaixo da referência global.
Desigualdade e ambiente familiar
Os dados expõem o peso das desigualdades estruturais no Brasil. Segundo o estudo, fatores socioeconômicos e raciais impactam diretamente o desempenho escolar antes mesmo do ensino fundamental. Crianças pretas e de famílias beneficiárias do Bolsa Família apresentam pontuações inferiores em quase todos os domínios analisados, como funções executivas e habilidades socioemocionais.
Outro ponto de alerta é o ambiente de aprendizagem em casa. Apenas 14% das famílias brasileiras leem para seus filhos ao menos três vezes por semana, um índice drasticamente inferior à média internacional de 54%. Em contrapartida, o uso diário de dispositivos digitais atinge 50,4% das crianças, hábito que o estudo associa a menores níveis de aprendizagem.
Debate sobre políticas públicas
O encontro reúne nomes de peso como Lucia Dellagnello (OCDE), Kátia Schweickardt (MEC) e representantes do Inep, do Ministério da Saúde e do Ministério do Desenvolvimento Social. O objetivo central é discutir como transformar essas evidências em políticas públicas de equidade que possam reduzir o abismo educacional desde os primeiros anos de vida.
Além da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, a coalizão conta com parceiros como Itaú Social, Sesi, Fundação Lemann e B3 Social, reforçando a mobilização conjunta entre setores público e privado em prol da educação infantil no Brasil.
Serviço:
- Evento: Seminário “Aprendizagem e bem-estar na Primeira Infância”
- Data: 12 de maio de 2026, das 08h às 18h
- Local: Auditório da CNI – Brasília/DF (Com transmissão online)