Estudo publicado na Nature Scientific Reports aponta que tratamentos com laser podem atuar em marcadores biológicos do envelhecimento, aproximando a dermatologia da medicina regenerativa.
BRASÍLIA — O uso de tecnologia a laser na dermatologia é consagrado para suavizar rugas, apagar manchas e melhorar a textura da pele. No entanto, o avanço dos estudos científicos tem revelado que os benefícios dessa ferramenta vão além da superfície visual, atuando diretamente na saúde profunda e nos mecanismos naturais de regeneração cutânea.
Com quase duas décadas de atuação na área, a Dra. Patrícia Santiago destaca que o foco dos tratamentos modernos migrou do simples impacto estético para a preservação funcional e a longevidade da pele.
“Há quase 20 anos utilizo lasers e outras tecnologias com esse olhar. Mais do que tratar um sinal visível de envelhecimento, meu objetivo sempre foi preservar a saúde da pele, estimular seus mecanismos naturais de regeneração e favorecer a longevidade. Hoje, a ciência começa a explicar parte desses mecanismos e a mostrar que alguns tratamentos podem exercer efeitos que vão além da superfície”, explica a Dra. Patrícia Santiago.
Ciência, epigenética e medicina regenerativa
Um exemplo dessa evolução científica é um estudo piloto recente publicado na revista Nature Scientific Reports. Pesquisadores acompanharam adultos submetidos a sessões de laser em um dos lados do rosto e avaliaram marcadores epigenéticos — mecanismos que ativam ou silenciam genes ao longo da vida. No lado tratado, esses marcadores passaram a se comportar de maneira similar aos de uma pele biologicamente mais jovem.
Embora o estudo necessite de ampliações para conclusões definitivas, a médica reforça a mudança de paradigma no setor:
“É cientificamente incorreto afirmar que o laser ‘rejuvenesce o DNA’, mas a pesquisa reforça uma mudança importante de perspectiva. Os procedimentos dermatológicos deixam de ser avaliados apenas pelo resultado estético e passam a ser compreendidos pelo impacto que exercem sobre a biologia da pele, aproximando a dermatologia da medicina regenerativa”, pontua a Dra. Patrícia Santiago.
Processo gradual e acompanhamento especializado
A especialista ressalta que os estímulos gerados pelo laser não ocorrem de forma imediata, mas são construídos progressivamente ao longo dos meses após o protocolo. A lógica segue o mesmo princípio de cuidados contínuos, como a aplicação diária de protetor solar e a manutenção preventiva.
“Envelhecer bem não é apenas ter menos rugas. É preservar a capacidade de regeneração da pele, sua função de barreira e sua resistência ao longo dos anos. Mas o laser não produz resultados sozinho: o sucesso depende da escolha da tecnologia adequada e, principalmente, do conhecimento do dermatologista especialista”, conclui a Dra. Patrícia Santiago.