Estudo revela que médicos atendem em média cinco complicações estéticas por mês decorrentes de atendimentos inadequados; em 17% dos casos, pacientes ficam com sequelas permanentes.
BRASÍLIA — O crescimento expressivo na busca por procedimentos estéticos no Brasil trouxe à tona uma discussão crucial sobre a segurança dos pacientes. Aplicações de toxina botulínica, preenchimentos faciais e bioestimuladores de colágeno tornaram-se rotina nas redes sociais, mas o aumento na procura acendeu um alerta vermelho entre profissionais de saúde: a banalização de intervenções que exigem profundo conhecimento médico.
Embora grande parte das técnicas seja considerada minimamente invasiva, o domínio da anatomia humana, a capacidade diagnóstica e o preparo imediato para intercorrências são indispensáveis. A Dra. Patrícia Santiago faz uma reflexão direta sobre o cenário atual:
“A medicina estética avançou demais para ser reduzida a procedimentos rápidos, tendências de redes sociais ou aplicações reproduzidas em série. O problema não está no crescimento dessa área, mas na banalização de procedimentos que exigem conhecimento médico, domínio profundo da anatomia, capacidade diagnóstica e preparo para reconhecer e tratar uma complicação.”
Dra. Patrícia Santiago
Alerta de complicações e dados de pesquisa
Um estudo multicêntrico brasileiro publicado na revista científica Dermatologic Surgery dimensiona a gravidade da situação. Após ouvir 1.058 médicos — em sua maioria dermatologistas e cirurgiões plásticos —, a pesquisa revelou que cada profissional atende, em média, cinco casos de complicações estéticas por mês originadas por atendimentos sem o devido preparo técnico.
Entre os quadros mais relatados pelos especialistas estão:
Cicatrizes permanentes: 78,68% dos casos;
Processos inflamatórios graves: 72,15% dos atendimentos;
Infecções: 65,43% das ocorrências;
Sequelas irreversíveis: 17% do total de pacientes.
“Nas redes sociais, vemos a seringa, a aplicação, o aparelho, o antes e depois e o resultado imediato. Quase nunca vemos o outro lado: a infecção, a necrose, a cicatriz ou o paciente que precisa passar por meses de tratamento para corrigir uma complicação. Em determinadas situações, minutos podem interferir decisivamente no desfecho”, pontua a Dra. Patrícia Santiago.
Critérios de segurança e conscientização do paciente
A médica ressalta que o objetivo do alerta não é desencorajar o público em relação aos tratamentos, mas conscientizar sobre a escolha criteriosa do profissional responsável antes de qualquer aplicação.
“A evolução das técnicas e procedimentos sem formação adequada traduz o quadro de aumento das complicações que enfrentamos no momento. Aprendemos a falar muito sobre o que um procedimento pode entregar e pouco sobre quem está preparado para indicá-lo, executá-lo e, principalmente, tratar suas possíveis complicações. O paciente precisa perguntar sobre a formação do profissional, o registro do produto na Anvisa e o suporte em caso de intercorrências”, enfatiza a especialista.
“A pele é o maior órgão do corpo humano. Tratá-la exige conhecimento, diagnóstico e responsabilidade. Na estética, segurança não é uma etapa do tratamento: é o ponto de partida”, conclui a Dra. Patrícia Santiago.
Rodapé — O Brasiliense
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