Crise no Supremo isola Fachin na tribuna de honra do 7 de Setembro; demais ministros não compareceram

Embate público entre André Mendonça e Alexandre de Moraes esvazia presença da Corte no desfile da Independência em Brasília; apenas o presidente do STF acompanhou Lula no evento

Por Redação O Brasiliense

Brasília — Em meio a uma das crises institucionais mais severas dos últimos anos, o Supremo Tribunal Federal (STF) marcou presença quase nula na tribuna de honra do desfile de 7 de Setembro nesta segunda-feira. O isolamento ficou evidente na Esplanada dos Ministérios: o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, foi o único integrante do tribunal a acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cerimônia oficial.

A ausência em massa dos demais magistrados ocorre menos de uma semana após o desdobramento de um embate direto e público entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. O atrito interno expôs divisões no plenário e gerou um clima de mal-estar que afastou os ministros dos refletores da celebração da Independência.

O pivô da crise interna

O desgaste começou a se aprofundar na última terça-feira (1º), quando o ministro André Mendonça levantou o sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento reunia mais de 50 mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, empresário ligado ao Banco Master. As conversas sugerem que o empresário buscava interlocução e proteção junto ao magistrado diante de apurações em andamento na PF e na Procuradoria-Geral da República (PGR).

Dois dias após a divulgação das mensagens, veio a reação de Moraes. O ministro acionou a presidência do STF solicitando a abertura de investigação contra Mendonça, sob a alegação de abuso de poder e direcionamento irregular nas apurações referentes ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Agora, o impasse cabe ao próprio Edson Fachin. O presidente do tribunal avalia se remeterá os pedidos de investigação para análise do plenário — passo que pode aprofundar a crise ou formalizar o escrutínio interno entre os pares.

Histórico de presenças no 7 de Setembro

A tribuna esvaziada em 2026 reflete o termômetro político e interno enfrentado pelo Supremo ao longo dos últimos anos:

  • 2023: A presença da então presidente da Corte, ministra Rosa Weber, marcou o evento em um gesto simbólico de “retorno à normalidade” após as invasões do 8 de Janeiro.
  • 2024: O STF registrou forte adesão, com as participações do então presidente Luís Roberto Barroso, acompanhado por Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Edson Fachin.
  • 2025: O desfile voltou a ser esvaziado pelos magistrados devido à alta tensão política que cercava o início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seus aliados por tentativa de golpe de Estado.
  • 2026: A crise entre Mendonça e Moraes volta a afastar a Corte do ato oficial, deixando Fachin como o único representante do Judiciário no palco do Executivo.

Com o encerramento do feriado, a atenção dos bastidores do Poder Judiciário em Brasília se volta para as próximas decisões de Fachin sobre o encaminhamento da disputa entre seus dois colegas de plenário.

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