Brasília assume a liderança entre as grandes cidades brasileiras em ranking de sustentabilidade

Capital federal salta para 61,71 pontos no IDSC-BR 2026, supera capitais como Curitiba e São Paulo, e se torna a única metrópole do país na faixa de alto desenvolvimento sustentável.

BRASÍLIA — A capital federal começa setembro celebrando uma conquista expressiva no cenário nacional. Brasília assumiu o primeiro lugar entre os municípios com mais de 500 mil habitantes no Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR) 2026, divulgado pelo Instituto Cidades Sustentáveis.

Com 61,71 pontos, a capital saltou da pontuação anterior de 57,67 e abriu vantagem sobre concorrentes de peso, como Curitiba (58,15) e São Paulo (58,01). Com o resultado, Brasília consolidou-se como a única cidade desse grupo a ingressar na faixa de alto desenvolvimento sustentável — que compreende notas de 60 a 79,99 pontos.

O que mede o IDSC-BR?

O levantamento não se baseia em pesquisas de opinião ou percepção subjetiva. O índice cruza dados públicos oficiais (provenientes de órgãos como IBGE, DataSUS e Inep) e avalia todos os 5.570 municípios brasileiros por meio de 100 indicadores alinhados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

A avaliação abrange dimensões cruciais da vida urbana, como saúde, educação, renda, erradicação da pobreza, saneamento, infraestrutura, mobilidade, igualdade de gênero, meio ambiente, segurança pública e ações contra as mudanças climáticas.

Pilares do Desempenho de Brasília

O topo do ranking reflete indicadores expressivos em áreas vitais da capital federal, amparados por dados recentes:

  • Renda: O Distrito Federal registrou o maior rendimento domiciliar per capita do país em 2025, alcançando R$ 4.538 — quase o dobro da média nacional (R$ 2.316), segundo o IBGE.
  • Saneamento Básico: Dados da Caesb de 2025 apontam índices robustos de cobertura na capital, com 99% de atendimento de água e 95,95% de atendimento de esgoto.

Por outro lado, o retrato detalhado pelo índice também escancara desafios históricos que exigem atenção contínua do poder público. Na educação, por exemplo, os dados divulgados pelo Inep mostram oscilações: enquanto os anos iniciais e finais do ensino fundamental registraram índices de 6,4 e 5,1 respectivamente, o Ideb do ensino médio apresentou leve recuo, passando de 4,2 (em 2023) para 4,1 (em 2025).

O Top 10 das Grandes Cidades

A liderança brasiliense reconfigurou o topo da lista entre os municípios com mais de meio milhão de habitantes. Confira as dez primeiras colocadas na edição de 2026:

  1. Brasília (DF) – 61,71
  2. Curitiba (PR) – 58,15
  3. São Paulo (SP) – 58,01
  4. Ribeirão Preto (SP) – 57,68
  5. Londrina (PR) – 57,59
  6. São José dos Campos (SP) – 56,27
  7. Contagem (MG) – 56,11
  8. Florianópolis (SC) – 55,89
  9. Uberlândia (MG) – 55,22
  10. Sorocaba (SP) – 55,07

Um retrato para o futuro

No panorama geral do país, o IDSC-BR 2026 apontou uma melhora coletiva: pela primeira vez desde o início da série histórica em 2015, a média dos municípios brasileiros ultrapassou a marca de 50 pontos, chegando a 51,22.

Para Brasília, que abriga quase 3 milhões de habitantes e profundas desigualdades socioeconômicas entre suas regiões administrativas, estar no topo reforça tanto o avanço da infraestrutura urbana quanto a responsabilidade de garantir que o desenvolvimento sustentável chegue, de forma equilibrada, a toda a população rumo às metas globais de 2030.

Rodapé — O Brasiliense