Senador aponta “falta de proporcionalidade e legalidade” na decisão que barrou visitas do pré-candidato ao pai por 90 dias
O cenário político nacional ganhou mais um ingrediente de polarização nesta segunda-feira (13/7). O senador Sergio Moro (União-PR) recorreu às suas redes sociais para fazer um forte desabafo e criticar a recente decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado suspendeu por 90 dias o direito de visita do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Para contestar a rigidez da medida de Moraes, Moro resgatou dados de 2018 sobre o período em que o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, esteve detido na carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

O Paralelo: As 572 visitas de Lula na PF
Em publicação na plataforma X (antigo Twitter), o ex-juiz da Operação Lava Jato compartilhou uma reportagem da época detalhando o intenso fluxo de pessoas que frequentavam a cela especial de Lula no Paraná ao longo de apenas seis meses.
Moro usou as estatísticas para argumentar que, mesmo diante de um réu condenado e preso, as prerrogativas de comunicação e convívio familiar não foram aniquiladas pela Justiça Federal na ocasião.
[Visitas a Lula na PF - 2018]
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├──► 572 visitas registradas em 6 meses
└──► 21 encontros com Fernando Haddad (então candidato à Presidência pelo PT)
“Lula, durante 2018, recebeu 572 visitas na prisão, inclusive 21 do então candidato à presidência do PT, Fernando Haddad. Seus visitantes concediam, em seguida, longas entrevistas à TV e à imprensa sobre o que Lula havia falado”, relembrou o parlamentar paranaense.
Moro ressaltou que, durante sua atuação como juiz do caso, nunca cogitou restringir ou cercear o direito de visitas ou de correspondência do petista, destacando o que considera um peso desproporcional nas decisões atuais que afetam o clã Bolsonaro.
Comparativo: As Regras de Visitação sob Análise
A manifestação de Moro expõe as diferenças práticas de tratamento jurídico aplicadas aos dois presidentes em seus respectivos períodos de restrição de liberdade:
| Critério de Comparação | Lula da Silva (Curitiba – 2018) | Jair Bolsonaro (Brasília – 2026) |
|---|---|---|
| Regime de Detenção | Prisão em sala especial (PF Curitiba) | Prisão domiciliar temporária |
| Comunicação Indireta | Interlocutores transmitiam recados em coletivas diárias de imprensa na porta da PF. | Cartas manuscritas publicadas nas redes sociais por familiares são tratadas como descumprimento. |
| Restrição Familiar | Visitas de parentes e aliados políticos mantidas conforme calendário do estabelecimento. | Visitas do filho (Flávio Bolsonaro) suspensas por 90 dias por ordem do STF. |
Defesa de Bolsonaro tem 48 horas para se manifestar
A punição imposta por Alexandre de Moraes ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro divulgar em suas redes, no último sábado (11/7), uma carta manuscrita por Jair Bolsonaro na qual este reafirmava o apoio à sua candidatura ao Planalto nas eleições de outubro.
Moraes apontou que a publicação configura um drible na proibição imposta a Bolsonaro de utilizar redes sociais — diretamente ou por intermédio de terceiros — como medida cautelar de sua prisão domiciliar decretada em março de 2026.
A defesa do ex-presidente agora corre contra o tempo. Os advogados têm um prazo de 48 horas para esclarecer se Bolsonaro tinha conhecimento e autorizou a divulgação do bilhete político nas redes do filho. Enquanto isso, o posicionamento de Sergio Moro reforça a união do bloco de oposição no Congresso, que acusa o Judiciário de interferir diretamente no equilíbrio do pleito eleitoral deste ano.