Pesquisa já avaliou cerca de 300 mulheres atendidas pelo SUS no Distrito Federal e inicia nova etapa para acompanhar a circulação do vírus após a introdução da vacinação
Um projeto de pesquisa desenvolvido na Universidade de Brasília (UnB) está ampliando o monitoramento da circulação do HPV (papilomavírus humano) entre mulheres jovens atendidas pela rede pública de saúde do Distrito Federal. A iniciativa busca identificar quais tipos do vírus ainda circulam na população após a implementação da vacinação pelo Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para o aprimoramento das estratégias de prevenção e rastreamento do câncer de colo do útero.
Intitulado “Testagem para presença de tipos de HPV (Vírus do Papiloma Humano) em mulheres jovens atendidas pela rede pública de saúde do DF”, o estudo teve início há cerca de quatro anos, sob coordenação da professora Fabiana Pirani Carneiro, da Universidade de Brasília. Atualmente, a pesquisa entra em uma nova etapa, coordenada pela professora Andrea Barretto Motoyama, com apoio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), responsável pelo suporte administrativo e financeiro desta fase do projeto.
Realizada ao longo dos últimos quatro anos, a pesquisa já contou com a participação de aproximadamente 300 mulheres. O foco é avaliar a presença de diferentes tipos de HPV em uma geração que cresceu durante a implementação da vacinação contra o vírus no Brasil, permitindo analisar o impacto da imunização na circulação dos genótipos associados ao câncer de colo do útero.
Objetivos e Resultados Preliminares
Segundo a professora Andrea Barretto Motoyama, coordenadora da atual etapa da pesquisa, o projeto tem dois objetivos principais:
- Verificar a presença de HPV em mulheres jovens elegíveis à vacinação pelo SUS;
- Identificar se tipos de alto risco ainda circulam entre mulheres vacinadas, analisando quais são eles.
Os resultados preliminares observados até o momento são considerados promissores. A pesquisadora aponta que o HPV16 — um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do câncer de colo do útero em todo o mundo — não foi identificado entre as participantes avaliadas até agora.
“Os resultados preliminares são bons e mostram que o HPV16 não foi encontrado na nossa população. Isso indica que estamos no caminho certo para a erradicação do câncer de colo do útero”, afirma Andrea Barretto Motoyama.
Nova etapa amplia acompanhamento
Após a conclusão da primeira fase, coordenada pela professora Fabiana Pirani Carneiro e financiada pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) e pela Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), o projeto inicia agora sua segunda etapa. Esta fase é financiada por meio de emenda parlamentar da senadora Leila Barros e conta com apoio administrativo e financeiro da Finatec.
Nesta etapa, serão incluídas mais 250 participantes:
- Até 120 mulheres que apresentaram alguma alteração nos exames realizados anteriormente serão acompanhadas novamente pelos pesquisadores.
- Outras 130 participantes serão incorporadas ao estudo, ampliando a base de dados e fortalecendo a análise epidemiológica.
A coleta das amostras ocorre na Unidade Básica de Saúde 1 da Cidade Estrutural e no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), que recebe participantes de diferentes regiões administrativas do Distrito Federal. A expectativa é que os resultados parciais sejam divulgados em publicações científicas nos próximos meses, enquanto a conclusão da pesquisa está prevista para ocorrer entre 18 e 24 meses.
Além da produção de conhecimento científico e da formação de graduandos e pós-graduandos, o estudo também prevê ações educativas voltadas à conscientização da população sobre vacinação, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e importância dos exames de rastreamento.