A edição desta segunda-feira (29 de junho) do telejornal Bom Dia São Paulo, da TV Globo, foi marcada por um momento de forte tensão e retratação ao vivo. A âncora Sabina Simonato precisou paralisar o andamento do bloco de notícias para se desculpar publicamente com os telespectadores. A medida ocorreu após uma opinião emitida por ela sobre a liberação antecipada de alunos da rede de ensino devido aos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo provocar uma onda de indignação e críticas contundentes nas redes sociais.
A polêmica começou quando a jornalista manifestou seu descontentamento com o fato de as instituições dispensarem os estudantes mais cedo, argumentando que a decisão sobrecarrega os pais que cumprem jornadas de trabalho rígidas e não possuem rede de apoio nos horários das partidas. Internautas e profissionais da educação reagiram imediatamente, acusando a apresentadora de ignorar os direitos trabalhistas dos professores e de tratar o ambiente escolar de forma reducionista.
A declaração que gerou o debate
Durante a cobertura das alterações de rotina nas cidades para o torneio mundial, Sabina disparou sua visão crítica sobre o remanejamento dos calendários escolares, cobrando soluções alternativas das instituições de ensino:
“Como os pais fazem? Eu me coloco no lugar dos pais… Tem muito pai que não pode sair do serviço no horário do jogo. Como você dispensa? Faz uma atividade diferente com as crianças, um telão no pátio da escola, sei lá… Faz desse limão uma limonada. Você põe nas costas da família, que depende de ficar o filho na escola para ganhar o pão de cada dia? Olha, eu não concordo com isso…”, desabafou a âncora.
A reação da comunidade escolar foi imediata. Diante da repercussão negativa, a própria jornalista fez questão de ler no telão do estúdio uma das duras mensagens recebidas, enviada por uma telespectadora identificada como Rosangela, que sintetizou a revolta da categoria. “Me desculpe, mas as escolas não são depósitos. Os funcionários também têm seus filhos. Os filhos dos funcionários podem ficar espalhados por aí, enquanto os pais ficam olhando os filhos dos outros?”, questionou a espectadora.
O pedido de desculpas e a defesa do contraditório
Após a leitura da crítica, Sabina iniciou seu posicionamento de retratação, admitindo que sua escolha de palavras pode ter prejudicado a clareza do raciocínio, mas reforçando que seu papel como comunicadora é ponderar os impactos sociais sob diferentes prismas.
“Eu em nenhum momento disse que escola é depósito de alunos, que é creche. Vocês têm todo o direito de se manifestar”, ponderou Simonato. “Eu tenho todo respeito e admiração pelos profissionais da educação. Se você não concordou com meu ponto de vista e, talvez naquele momento eu não tenha sido clara, me desculpa. Que bom que vocês me alertaram sobre esse ponto. Não é uma briga, vamos juntos”, concluiu a jornalista, reestabelecendo o clima de harmonia com o público antes de prosseguir com os destaques locais.