Distrito Federal reduz abandono e atraso escolar no ensino médio público, aponta Censo Escolar

O ensino médio da rede pública do Distrito Federal registrou uma evolução consistente em seus principais indicadores de trajetória e rendimento nos últimos anos. Entre 2022 e 2025, a taxa de abandono escolar no DF recuou de 4,6% para 3,9%. No mesmo período, o índice de atraso escolar despencou de 26,2% para 20,2%, consolidando um cenário de maior permanência dos jovens nas salas de aula da capital.

Os dados foram publicados na manhã desta sexta-feira (26 de junho) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia do Ministério da Educação (MEC), durante a divulgação da aguardada segunda etapa do Censo Escolar 2025.

O panorama nacional de recuperação

Os avanços colhidos no Distrito Federal acompanham um movimento de forte recuperação da educação básica em todo o país. De acordo com o balanço do MEC, a unificação de programas de fomento à aprendizagem e apoio financeiro gerou uma transformação expressiva nos índices nacionais entre 2022 e 2025:

  • Reprovação: Queda de 62% no ensino médio público nacional.
  • Abandono Escolar: Redução de 61% no país.
  • Distorção Idade-Série: Recuo de 28% no atraso escolar brasileiro.
  • Aprovação Geral: Crescimento de 11% no sucesso escolar dos estudantes.

Para a cúpula do Ministério da Educação, o salto estatístico reflete a maturação de pacotes estruturantes integrados a partir de 2023, como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o Escola em Tempo Integral, a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas e o impacto direto do programa de poupança estudantil Pé-de-Meia, instituído no início de 2024.

“Os resultados demonstram que mais estudantes estão conseguindo permanecer na escola, avançar de série e concluir seus estudos no tempo adequado”, avaliou o ministro da Educação, Leonardo Barchini.

Retenção histórica de estudantes e o avanço no Enem

Além do Censo Escolar, cruzamentos analíticos inéditos apresentados pelo presidente do Inep, Manuel Palacios, revelam que a taxa de “não retorno” (estudantes que abandonavam os estudos na transição de um ano letivo para o outro) caiu 28% no período avaliado.

Essa contenção evitou uma evasão em massa na rede pública. Pelos cálculos técnicos do instituto, se a taxa de evasão de 2022 tivesse se mantido ativa, o Brasil teria fechado o ano de 2025 com cerca de 250 mil alunos a menos matriculados no ensino médio. A maior segurança escolar também impulsionou os exames de acesso ao ensino superior: o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) computou uma alta de 46% nas inscrições feitas por alunos concluintes de colégios públicos federais e estaduais.

Os dados do Inep e do MEC ganharam robustez adicional com a recente publicação da Pnad Contínua Educação 2025, apurada pelo IBGE. O indicador oficial de frequência ajustada atingiu a marca histórica de 80,6% — o maior patamar de assiduidade escolar registrado pelo instituto de pesquisa desde o início da atual série histórica, iniciada em 2016.