Marco Nanini estrela “Fim de Partida”, clássico de Samuel Beckett, na CAIXA Cultural Brasília

Por O Brasiliense – Fotos: Fernando Young

A cena teatral da capital federal recebe um dos projetos mais aguardados do ano. A partir do dia 6 de junho, a CAIXA Cultural Brasília apresenta uma nova e potente montagem brasileira de “Fim de Partida”, obra-prima do dramaturgo irlandês Samuel Beckett. O espetáculo, que cumpre uma temporada de três semanas, traz como grande destaque o retorno aos palcos do icônico ator Marco Nanini.

Escrita na década de 1950 sob a pesada atmosfera do pós-Segunda Guerra Mundial, a peça retrata um cenário pós-apocalíptico sob a ótica da trágica dependência entre os personagens Hamm (Marco Nanini) e Clov (Guilherme Weber). Juntos, eles habitam um mundo em ruínas físicas e emocionais, imersos em uma tragicomédia ácida, jogos de poder e uma rotina claustrofóbica marcada por uma espera que nunca se resolve.

Um Elenco de Grandes Reencontros

A montagem, realizada pela produtora Pequena Central, nasceu do desejo antigo de Nanini de encenar Beckett, impulsionado por um convite do próprio Guilherme Weber. Os dois atores possuem um histórico de parcerias célebres, tendo dividido o palco anteriormente em montagens marcantes como “Os Solitários” (2002) e “A Morte do Caixeiro Viajante” (2004).

Para somar ao projeto, foram convidados outros dois nomes de imenso peso das artes nacionais:

  • Helena Ignez: Ícone do cinema brasileiro, que volta a contracenar com Nanini após trabalharem juntos no início de suas carreiras.
  • Ary França: Ator com quem Nanini dividiu a cena no premiado espetáculo “O Burguês Ridículo” (1996).

“Costumo dizer que Beckett fica orbitando a cabeça dos atores contemporâneos, pois oferece um imenso desafio com os múltiplos caminhos que a sua obra permite”, revela Marco Nanini.

As Três Camadas da Direção de Rodrigo Portella

A direção está a cargo de Rodrigo Portella, um dos nomes mais celebrados do teatro contemporâneo atual, responsável por sucessos recentes como “Tom na Fazenda”“Ficções” e “Um Ensaio sobre a Cegueira”. Para esta montagem, Portella propôs uma divisão textual e conceitual em três fluxos narrativos distintos:

  1. A Relação Simbiótica: O vínculo de dependência mútua, violência e crueldade cotidiana que une os protagonistas Hamm e Clov.
  2. A Alegoria Política: Uma leitura onde Hamm personifica um déspota arbitrário cujas ações aludem à lógica da opressão militar e da guerra, enquanto Clov representa o corpo submisso do soldado em vigília permanente, servindo a uma engrenagem sem sentido.
  3. O Metateatro: O teatro que se dobra sobre si mesmo. Clov assume a faceta de um clown (operador de cena), enquanto Hamm se coloca como o ator principal e narrador de si próprio.

Essa característica da metalinguagem ganha forma física através da cenografia assinada por Daniela Thomas, que desenhou uma pequena caixa cênica retangular — criando, literalmente, um palco dentro do palco. A renomada equipe criativa conta também com a iluminação de Beto Bruel, figurinos de Antonio Guedes e a produção de Fernando Libonati, parceiro artístico de Nanini nas últimas três décadas.

Serviço:

[Teatro] Fim de Partida, de Samuel Beckett
Local: CAIXA Cultural Brasília – SBS Q. 4 Lotes 3/4 – Asa Sul, Brasília/DF
Temporada: de 6 a 21 de junho de 2026
Dias e horários: 6 e 7 (sábado e domingo), às 18h; entre os dias 9 e 21, de terça a sexta, às 20h, e sábado e domingo, às 18h. Excepcionalmente no sábado, 13 de junho, a sessão será às 17h.
Duração: 90 minutos 
Acessibilidade: as sessões aos domingos contam com intérprete de Libras
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia entrada conforme legislação vigente e clientes CAIXA)
Vendas: a partir deste sábado, 30 de maio, às 9h, na bilheteria do teatro, e às 13h, no site Bilheteria Cultural.
Classificação indicativa: não recomendado para menores de 16 anos
Acesso para pessoas com deficiência
Estacionamento: gratuito aos finais de semana, feriados e, de terça a sexta, a partir das 18h
Patrocínio: CAIXA e Governo Federal