O golpe do “Pastinha”: Como funciona a fraude do falso consignado e as orientações da PCDF para se proteger

Modalidade criminosa investigada na Operação Crédito Corrompido usava redes sociais e assessores fakes para atrair servidores e professores temporários.

Por Redação O Brasiliense

A Operação Crédito Corrompido, deflagrada pela Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCor) da PCDF nesta quinta-feira (28), jogou luz sobre uma engrenagem criminosa que faz milhares de vítimas no Distrito Federal: o golpe do falso correspondente bancário, operado por criminosos conhecidos no jargão do mercado como “pastinhas”.

Utilizando técnicas de engenharia social, falsificação de documentos públicos e contando com a conivência de gerentes infiltrados no BRB, o grupo movimentou milhões de reais de forma ilícita. A Polícia Civil emitiu um alerta detalhando o modus operandi dos golpistas e as principais diretrizes para que o cidadão não caia em armadilhas financeiras.

Leia mais: PCDF deflagra operação contra esquema de propina e contracheques falsos que liberava créditos milionários no BRB

Como funcionava a engrenagem do golpe?

Os criminosos monitoravam redes sociais e fóruns de discussão na internet, buscando grupos específicos de servidores públicos, com foco especial em professores temporários. Essas categorias foram escolhidas por possuírem vínculos empregatícios reais com o Estado, mas que, frequentemente, enfrentam dificuldades de aprovação de crédito rápido ou estouro de margem consignável em canais oficiais.

[Abordagem em Redes Sociais] ──► Falsos assessores oferecem facilidades e "fura-filas"
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[Falsificação de Documentos]  ──► Criminosos adulteram contracheques para inflar a renda
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[Cobrança de "Comissão"]       ──► Vítima é coagida a devolver parte do dinheiro ao grupo

Após o contato inicial, os “pastinhas” solicitavam os dados da vítima e criavam contracheques falsificados, alterando os valores dos salários para simular uma margem de crédito inexistente. Os documentos eram enviados diretamente para gerentes do BRB que faziam parte do esquema e faziam “vistas grossas” na auditoria. Uma vez que o montante era depositado na conta da vítima, o grupo criminosos exigia o repasse imediato de uma pesada taxa de “comissão” ou assessoria.

Como se proteger? As orientações oficiais da PCDF

Para evitar que o consumidor seja responsabilizado criminalmente por fraudes ou sofra prejuízos financeiros severos, a PCDF elenca cuidados fundamentais:

  • Desconfie de facilidades em redes sociais: Bancos públicos e correspondentes autorizados não utilizam perfis privados em redes sociais (como WhatsApp, Facebook ou Instagram) para oferecer “facilidades”, “fura-filas” ou aprovação de crédito para negativados.
  • Nunca pague “comissões” ou taxas adiantadas: A contratação de empréstimo consignado legítimo tem suas taxas embutidas diretamente nas parcelas descontadas em folha. Nenhum correspondente bancário legalizado exige depósitos de retorno, Pix ou comissões por fora para liberar valores.
  • Acompanhe sua folha pelo sistema oficial: Servidores do GDF devem gerenciar e emitir suas anuências de consignados exclusivamente pelos portais oficiais do governo (como o telesserviço ou sistemas de RH integrados), sem intermediários.
  • Não envie documentos a terceiros não oficiais: Ceder cópias de documentos pessoais e comprovantes de rendimentos para “assessores” digitais abre brecha para que o seu nome seja utilizado na abertura de empresas de fachada ou outras fraudes.

A PCDF relembra que o cliente que aceita conscientemente a inserção de dados falsos em seu contracheque para obter vantagem financeira pode responder como coautor de crimes como estelionato contra a Administração Pública e falsificação de documento. Caso identifique qualquer abordagem suspeita, a recomendação é interromper o contato imediatamente e registrar denúncia pelo telefone 197 ou no portal da Delegacia Eletrônica.