Polícia Civil localiza cinco salas comerciais não declaradas durante buscas da “Operação Insider”. Investigado, que atua na BRB DTVM, é suspeito de receber propina milionária em venda de carteiras de ativos de R$ 60 milhões
BRASÍLIA – A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desferiu um novo golpe financeiro contra a estrutura de um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro cravado no ecossistema do Banco de Brasília (BRB). Agentes da Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCOR/DECOR) descobriram um robusto patrimônio oculto pertencente ao principal investigado da Operação Insider: cinco salas comerciais de alto padrão que não constavam nos mapeamentos patrimoniais iniciais.
Os novos imóveis, adquiridos recentemente, estão distribuídos em dois edifícios empresariais vizinhos e encontram-se registrados tanto em nome do servidor quanto no de empresas de fachada vinculadas a ele. Diante do achado, a PCDF solicitou em caráter de urgência a ampliação do sequestro de bens, prontamente deferida pela Vara Criminal competente.
O Rombo e o Raio-X do Bloqueio Judicial
Com a atualização e o aditamento das medidas cautelares pela Justiça, o cerco financeiro aos envolvidos tornou-se um dos maiores do ano no Distrito Federal. O somatório dos ativos congelados para garantir o ressarcimento aos cofres públicos e o pagamento de futuras multas penais agora ultrapassa a marca de R$ 16 milhões, divididos da seguinte forma:
- Valores em Contas: Mais de R$ 13,1 milhões bloqueados em contas bancárias, fundos de previdência e investimentos financeiros.
- Bens Imóveis: Constrição judicial e indisponibilidade de 6 salas comerciais (a inicial mais as 5 recém-descobertas).
- Frota Cortada: Apreensão e bloqueio de 8 veículos de luxo.
A Engrenagem do Esquema na BRB DTVM
A Operação Insider, deflagrada originalmente no último dia 7 de maio, mira uma organização criminosa composta por empresários, um servidor público federal e empregados públicos do próprio BRB. O principal foco da DRCOR está na BRB DTVM — a distribuidora de títulos e valores mobiliários da instituição.
De acordo com o inquérito, o funcionário do banco operava na intermediação de papéis de alta complexidade. Ele é acusado de receber vantagens indevidas (propina) para direcionar a venda de três carteiras de ativos de grande porte, avaliadas em mais de R$ 60 milhões. Logo após a liquidação dessas operações, o investigado começou a apresentar uma evolução patrimonial vertiginosa e incompatível com seu salário oficial.
Ao todo, o grupo criminoso teria movimentado de forma atípica cerca de R$ 15 milhões. Para tentar escapar do radar do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), os operadores utilizavam um método misto:
[Origem Suspeita: Fraude Eletrônica / Propina]
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├──> Uso intensivo de dinheiro em espécie (saques/depósitos fracionados)
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└──> Transferências bancárias em nome de empresas de fachada
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└──> Destino: Compra rápida de imóveis corporativos e carros de luxo
A PCDF revelou ainda que parte do dinheiro que irrigou o esquema tem origem em uma fraude eletrônica milionária perpetrada contra empresas privadas. Ironia do caso, uma parcela considerável desse montante de origem ilícita acabou sendo congelada preventivamente pelo sistema de conformidade do próprio BRB antes de ser pulverizada. As investigações entram agora em nova fase para identificar se o funcionário público contava com a conivência de diretores ou de outros setores da instituição financeira.