Celina reage à pressão por privatização do BRB e diz que vai lutar para manter banco público

Em reunião com distritais, governadora afirmou que trabalha para salvar a instituição; mercado acompanha crise aberta após operações com o Banco Master

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), disse a deputados distritais que vai resistir à pressão por uma eventual privatização do Banco de Brasília (BRB) e que pretende “lutar muito” para manter a instituição sob controle do GDF. Segundo uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, Celina fez a declaração em reunião realizada na última quarta-feira (15) e citou o BTG Pactual como um dos nomes que teriam aparecido nesse debate. 

A fala ocorre no momento mais delicado da história recente do BRB. O banco ainda não divulgou o balanço consolidado de 2025, adiado em 31 de março sob a justificativa de conclusão de uma auditoria forense ligada aos desdobramentos do caso Banco Master. Em paralelo, a instituição tenta executar um plano de recomposição de capital, negocia a venda de ativos e opera sob forte escrutínio do Banco Central e do mercado. 

A crise ganhou nova dimensão nesta semana com a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo a Reuters, a investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros ligados à criação e transferência de carteiras de crédito supostamente fraudulentas entre o Master e o BRB. 

No centro da disputa, porém, está também o futuro político e institucional do banco. Celina assumiu o Palácio do Buriti no fim de março e, desde então, vem tentando construir uma saída para a crise sem entregar o ativo mais simbólico do sistema financeiro distrital. No início do mês, ela se reuniu com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em São Paulo, para discutir alternativas para o BRB. Na ocasião, o Correio Braziliense informou que a governadora também teria agenda com representantes de instituições financeiras na Faria Lima. 

Do lado federal, a sinalização tem sido de distância. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse neste mês que uma eventual federalização do BRB não tem respaldo da pasta e afastou a hipótese de socorro direto da União. Segundo ele, a questão deve ser conduzida pelo governo do DF, com mediação técnica do Banco Central, e não por uma intervenção federal. 

A menção ao BTG, feita por Celina no encontro com deputados, encontra eco parcial no noticiário econômico, mas com um recorte diferente. No último dia 13, o chairman do banco, André Esteves, afirmou publicamente que o BTG avalia a compra de ativos do BRB, mas não daqueles oriundos do Banco Master. Em outra declaração repercutida pela CNN Brasil, ele disse que o banco não tem interesse no BRB em si, o que distingue a compra de ativos de uma eventual aquisição do controle da instituição. 

Nesse cenário, a resistência de Celina à privatização tem peso que vai além do discurso. O BRB é um banco público estratégico para o DF, com forte valor político e simbólico. Ao mesmo tempo, sua crise exige soluções rápidas para recompor capital, restaurar transparência e conter a perda de confiança. A equação é delicada: salvar o banco sem abrir mão dele — e fazer isso sob a pressão simultânea de mercado, reguladores e calendário eleitoral.