Criação da marca Martha Medeiros levou o artesanato nordestino a uma cerimônia internacional e transformou moda autoral em símbolo de identidade brasileira
A posse de José Antonio Kast como presidente do Chile, realizada em 11 de março de 2026, ganhou um elemento extra de atenção fora do eixo estritamente político: um vestido de renda brasileira que projetou o trabalho manual do Nordeste em um evento de dimensão diplomática. A peça, da marca Martha Medeiros, apareceu na cerimônia como um gesto de estilo, mas também como vitrine de uma tradição têxtil profundamente ligada à identidade brasileira.
Usado por Fernanda Bolsonaro durante a agenda oficial, o look chamou atenção por unir presença visual, refinamento e uma narrativa cultural muito clara. Segundo registros divulgados sobre a ocasião, tratava-se de um vestido verde já pertencente ao acervo pessoal dela, escolhido justamente por carregar o valor simbólico da renda artesanal nordestina.
Na base dessa escolha está a assinatura da Martha Medeiros, marca que se consolidou associando luxo e artesanalidade. Em seu site oficial, a grife destaca a renda renascença como uma de suas expressões centrais, ressaltando o caráter manual, meticuloso e exclusivo dessa técnica preservada especialmente no Nordeste do Brasil.
O efeito da peça vai além da estética. Em um ambiente dominado por protocolos, representações e leitura simbólica, um vestido de renda nordestina funciona também como linguagem cultural. Ele desloca o olhar da moda como ornamento para a moda como discurso — e coloca o artesanato brasileiro em um espaço de visibilidade internacional raramente ocupado por técnicas tradicionais com esse protagonismo.