Erika Hilton assume Comissão da Mulher, e Nikolas resgata vídeo antigo para subir o tom do embate

Postagem do deputado mineiro após a eleição da psolista amplia polarização em torno do colegiado e transforma a presidência em novo foco de disputa

A eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher mal havia sido confirmada quando o caso já transbordava da Câmara para as redes sociais. Pouco depois da instalação do colegiado, o deputado Nikolas Ferreira voltou a publicar um vídeo de 2023 em que aparece usando uma peruca loira e afirma que “mulheres estão perdendo seu espaço para homens que se sentem mulheres”. Na postagem, acrescentou a frase: “eu avisei”.

O gesto não surgiu no vazio. Erika foi eleita nesta quarta-feira com 11 votos, diante de 10 votos em branco, e assumiu o posto como a primeira mulher trans a presidir a comissão voltada especificamente às pautas femininas na Câmara. A instalação do colegiado ocorreu no Plenário 14, em chapa única, com a eleição também das vice-presidentes Laura Carneiro, Delegada Adriana Accorsi e Socorro Neri. 

O episódio amplia um embate que já vinha sendo alimentado dentro e fora do plenário. O portal da Câmara registrou que deputadas de oposição criticaram a escolha de Erika e afirmaram que a comissão deveria ser comandada por uma mulher cisgênero. A divergência mostrou que a disputa pela presidência do colegiado carregava um significado maior do que o simples revezamento institucional. 

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Ao mesmo tempo, a nova presidente tentou deslocar o foco para a agenda prática da comissão. Em seu discurso, Erika afirmou que a gestão tratará de todas as mulheres e listou como prioridades a fiscalização da rede de proteção, o combate à violência política de gênero e a ampliação de políticas de saúde integral

O resultado é um cenário em que a Comissão da Mulher já começa o ano legislativo sob alta voltagem. Antes mesmo de discutir projetos, o colegiado virou palco de uma disputa de narrativa entre representatividade, agenda institucional e guerra cultural — uma combinação que deve manter o tema no centro do debate político nos próximos meses.