Cresceu, mas caiu: o paradoxo do Brasil no ranking das maiores economias

PIB brasileiro subiu 2,3% em 2025, mas perda de tração no fim do ano e comparação em dólar empurraram o país para a 11ª posição

À primeira vista, parece contradição: o Brasil cresceu em 2025, mas terminou o ano em posição pior no ranking das maiores economias do mundo. A explicação está no tipo de comparação. O levantamento da Austin Rating usa o PIB em valores correntes convertido para dólar, o que significa que o avanço interno do país não garante, sozinho, permanência entre os líderes globais. 

Os números mostram isso com clareza. O IBGE registrou alta de 2,3% no PIB brasileiro em 2025, com valor total de R$ 12,7 trilhões. Ainda assim, no ranking internacional, o Brasil ficou em 11º lugar, com US$ 2,268 trilhões, atrás do Canadá e da Rússia

O quadro fica mais claro quando se observa o fim do ano. No quarto trimestre de 2025, a economia avançou só 0,1%frente ao trimestre anterior, em um movimento de desaceleração depois de um desempenho mais forte no início do ano. Em levantamento citado pela imprensa econômica a partir da Austin Rating, o Brasil ficou apenas na 39ª posição em um comparativo internacional de desempenho trimestral. 

Mesmo assim, o resultado de 2025 não foi irrelevante. Segundo o IBGE, o crescimento foi puxado sobretudo pela Agropecuária, que avançou 11,7%, além de altas de 1,8% em Serviços e 1,4% na Indústria. O problema é que, em um tabuleiro global competitivo, crescer moderadamente nem sempre basta para sustentar posição. 

A lição embutida no dado é direta: crescimento econômico e relevância internacional não são sinônimos automáticos. O Brasil avançou, mas avançou em um mundo que também se moveu — e, desta vez, mais rápido do que ele na corrida pelo topo.