Por que tantos casais estão aderindo ao swing: entre o tabu e a redescoberta da intimidade

Com adesão crescente e conversas mais abertas sobre prazer, prática antes restrita ao submundo sexual ganha espaço nos relacionamentos contemporâneos

Entre paredes fechadas e telas abertas, o swing — prática em que casais consentem relações sexuais com outros parceiros ou casais — deixou o rótulo de “fetiche secreto” e passou a ocupar o centro de discussões sobre desejo, liberdade e cumplicidade. Em 2024, a plataforma brasileira D4Swing registrou um aumento expressivo de 222% na adesão de novos casais, evidenciando uma mudança de comportamento em relação ao sexo fora do convencional.

Se para alguns ainda é tabu social, para outros o swing se tornou uma ferramenta de redescoberta emocional e sexual, uma espécie de antídoto contra a monotonia afetiva e um convite à honestidade conjugal.

“Muitos casais procuram o swing como uma forma de reacender a paixão e a chama do relacionamento”, explica o sexcoach e psicanalista Marcio Wolf. “É uma forma de quebrar a rotina e experimentar coisas novas juntos, sem traição, sem mentiras.”


🔄 Mais diálogo, menos repressão: o swing como extensão da intimidade

O sucesso da prática, no entanto, não está apenas no desejo sexual — mas na comunicação e confiança entre os parceiros. Para a psicóloga e sexóloga Marina Roty, que também é mentora pela FGV, o swing exige preparo emocional.

“É uma prática que demanda muita conversa, negociação e clareza. Nenhum casal deve entrar nisso por pressão ou desequilíbrio. É preciso que os dois estejam alinhados e estabeleçam regras claras antes de começar”, orienta.

Segundo ela, o movimento de abertura sexual que se percebe hoje não é sobre libertinagem, mas sobre liberdade emocional e autonomia dos casais para decidir o que funciona para sua própria relação, sem o peso da moralidade externa.


📈 Internet, anonimato e a curiosidade sem julgamentos

Muito do crescimento da prática pode ser atribuído à internet. Plataformas especializadas, grupos discretos e casas liberais oferecem ambientes controlados e seguros, onde os casais podem explorar o swing com menor exposição pública e mais liberdade de escolha.

“A diferença entre o desejo e a realização começa no clique”, brinca Wolf. “Com o acesso a aplicativos e comunidades online, o casal pode investigar, conversar com outros praticantes e se preparar emocionalmente para essa jornada — sem precisar se atirar de cabeça.”


🧠 Psicologia do desejo: o swing como sintoma e como solução

Para além da prática sexual, o swing toca em camadas profundas do desejo humano: posse, insegurança, confiança, ego e empatia. Casais que se aventuram nessa experiência relatam reencontros intensos com o próprio parceiro, redescoberta de limites e, muitas vezes, melhora na comunicação e na autoestima sexual.

Não há fórmula universal. Para alguns, o swing é curiosidade pontual. Para outros, um estilo de vida. O importante, segundo os especialistas, é que seja sempre praticado com consentimento, segurança e respeito mútuo.


💬 E afinal, o swing é para todos?

A resposta é: não necessariamente. O que o fenômeno revela é um movimento de transição emocional e sexual, em que casais buscam mais do que prazer — buscam reconexão e autenticidade.

Em tempos de relações líquidas, cobranças emocionais e crises silenciosas, a prática do swing — polêmica para uns, libertadora para outros — se apresenta como um espelho das transformações sociais em curso: o sexo, afinal, nunca foi apenas físico. Ele continua sendo, sobretudo, um território de conversa, coragem e escolha.