Uma noite brasileira em Hollywood: Wagner Moura e “O Agente Secreto” colocam o Brasil no centro do Globo de Ouro

Por Redação d’O Brasiliense
Los Angeles, EUA

Em um auditório lotado no coração de Beverly Hills, as luzes douradas do Globo de Ouro iluminaram mais do que vestidos deslumbrantes e tapetes vermelhos. Elas iluminaram o Brasil. Com o filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, o país conquistou uma de suas noites mais memoráveis no cinema internacional. O longa venceu o prêmio de melhor filme em língua não inglesa, e seu protagonista, Wagner Moura, foi consagrado como melhor ator em filme de drama, um feito inédito para o cinema nacional na premiação.

O Brasil não apenas venceu — ele ocupou o palco, o discurso e a atenção global.


Memória, trauma e resistência: um filme sobre o Brasil que fala ao mundo

Ambientado nos anos mais sombrios da ditadura militar, “O Agente Secreto” retrata o peso da memória e os dilemas éticos de um homem infiltrado num sistema opressor. O roteiro, carregado de tensão psicológica e ambiguidade moral, é fiel à linguagem de Mendonça Filho — um cinema que não teme o incômodo e que se recusa a esquecer.

Ao receber o prêmio, Wagner Moura foi direto ao coração da noite:

“É um filme sobre memória, a falta dela e um trauma geracional. Se um trauma pode ser passado por gerações, os valores também podem. Esse prêmio vai para quem está seguindo seus valores em momentos difíceis.”

O ator baiano, já reconhecido por papéis desafiadores, entregou uma performance crua, íntima e poderosa — agora eternizada na galeria de ouro de Hollywood.


Mais do que estatuetas: um símbolo de virada cultural

Embora tenha sido derrotado na principal categoria de melhor filme de drama, vencida por “Hamnet”, da diretora chinesa Chloé ZhaoO Agente Secreto consolidou sua presença na temporada de prêmios e reforçou a relevância do Brasil no circuito cinematográfico global.

A dobradinha de Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho não é apenas estética — ela é política, simbólica e histórica. Em tempos de revisionismos e apagamentos, o cinema brasileiro fez do palco do Globo de Ouro um espaço de memória e resistência.


Hollywood, política e outras batalhas da noite

Enquanto Moura discursava, outros astros e estrelas também faziam da cerimônia um reflexo do mundo que os rodeia. No tapete vermelho, broches com a mensagem “Be good” (“Seja bom”) foram usados por diversas celebridades em memória de Renee Good, morta por um agente da polícia migratória — um protesto silencioso contra as políticas migratórias do presidente Donald Trump.

A apresentadora da noite, Nikki Glaser, abriu a cerimônia com ironia cortante, incluindo piadas sobre os arquivos censurados do caso Jeffrey Epstein:

“O Globo de Ouro de melhor montagem vai para o Departamento de Justiça.”


Outros vencedores e uma nova geração de narrativas

Entre os destaques da noite:

  • “Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson, levou quatro prêmios, incluindo melhor direção e melhor roteiro.
  • Teyana Taylor venceu como melhor atriz coadjuvante, em um dos discursos mais emocionantes da noite.
  • Timothée Chalamet superou Leonardo DiCaprio e levou melhor ator em comédia ou musical por sua performance em Marty Supreme, agradecendo à namorada, Kylie Jenner, e lembrando de suas derrotas anteriores.
  • “Pecadores”, um drama com tons de horror vampírico e blues sobre o sul segregacionista dos EUA, venceu melhor trilha sonora e realização cinematográfica e de bilheteria.

O futuro agora fala português?

Com vitórias seguidas — Fernanda Torres em 2025Wagner Moura em 2026 — e um cinema que ousa tocar feridas históricas, o Brasil parece ter enfim cravado seu nome na temporada de premiações mais prestigiada do mundo.

Mas talvez mais importante do que prêmios seja a escuta internacional que esses filmes estão gerando. O mundo está olhando. E o Brasil — com sua arte, sua dor e sua potência — está falando em voz alta.


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