Trump eleva pressão sobre Cuba e sugere Rubio como “presidente” em meio a crise regional

Em tom agressivo, presidente dos EUA condiciona fim de apoio venezuelano a acordo com Havana; resposta de Cuba reafirma soberania

Em um momento de intensificação das tensões geopolíticas na América Latina, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar Cuba, advertindo o governo da ilha caribenha a negociar com Washington “antes que seja tarde demais” — sob pena de ficar sem petróleo e recursos financeiros que historicamente recebia da Venezuela. As declarações, feitas na sua plataforma Truth Social, surgem em meio ao novo quadro político regional após a derrubada do governo de Nicolás Maduro na Venezuela. 

Fim do apoio venezuelano e ultimato a Havana

Trump afirmou categoricamente que “não haverá mais petróleo nem dinheiro para Cuba — zero!”, uma referência ao papel que a Venezuela desempenhava como principal fornecedor de energia e apoio econômico à ilha por décadas. Segundo o presidente americano, a antiga aliança, baseada em troca de serviços de segurança e cooperação entre Havana e Caracas, perdeu sentido após a captura de Maduro pelas forças dos EUA na capital venezuelana. 

O líder norte-americano conduziu sua retórica como um ultimato: exige um acordo com Washington “antes que seja tarde demais”, sugerindo que Cuba deve reconfigurar suas relações internacionais em favor de compromissos com os interesses dos EUA. 

Rubio como símbolo de mudança?

Em meio ao clima de pressão, Trump compartilhou um post nas redes sociais sugerindo, de forma indireta, que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, poderia se tornar o próximo presidente de Cuba — uma ideia que, embora pareça irônica em sua origem, foi endossada pelo presidente americano. Rubio, filho de imigrantes cubanos e figura proeminente na diplomacia norte-americana, tem sido um dos críticos mais enfáticos dos governos cubano e de esquerda na região.

A repercussão da mensagem levantou sobrancelhas no cenário internacional, pois traduz uma postura de interferência simbólica ou até política — ainda que não haja mecanismo constitucional ou diplomático que legitime tal nomeação fora de eleições livres em Cuba.

Resposta firme de Havana

O governo cubano, liderado por Miguel Díaz-Canel, reagiu imediatamente às ameaças americanas. Em comunicado, o presidente reafirmou que “Cuba é uma nação livre, independente e soberana”, defendendo que nenhum Estado tem o direito de ditar suas decisões políticas ou econômicas.

Díaz-Canel ainda ressaltou que o país “não ataca, mas se prepara para defender a pátria até a última gota de sangue”, numa resposta direta ao tom beligerante de Trump. A retórica de Havana sublinha uma tradição cubana de resistência à pressão externa, especialmente dos Estados Unidos, que mantêm um embargo econômico contra a ilha desde os anos 1960.

Mudanças geopolíticas e dependência histórica

A ameaça americana também está inserida em um contexto mais amplo: Cuba depende historicamente do petróleo venezuelano, que chegou a cobrir cerca de metade das necessidades energéticas do país. Com a recente instabilidade em Caracas e o corte de fornecimento — intensificado pela política de bloqueio estadunidense —, a ilha enfrenta dificuldades econômicas e cortes de energia geral.

Analistas apontam que, mesmo com a busca de alternativas como importação de combustível da México e Rússiaa vulnerabilidade econômica de Cuba permanece elevada, o que torna o ultimato de Trump ainda mais impactante e potencialmente desestabilizador.

O debate sobre soberania e influência

A postura dos Estados Unidos agrava o debate sobre soberania nacional versus interesses estratégicos no hemisfério ocidental. A escalada retórica — com uso de plataformas digitais como Truth Social e endossos públicos de figuras como Rubio — sinaliza uma guinada mais assertiva na política externa americana em relação ao Caribe e à América Latina.

Para Havana, a mensagem é clara: resistência e autonomia são centrais, mesmo diante de pressões econômicas e diplomáticas de um parceiro historicamente adversário. Para Washington, a equação é outra: reconfigurar alianças regionais e reduzir a influência de regimes tidos como hostis.


Este cenário colocado nos últimos dias não apenas redefine o jogo diplomático regional, mas também acende preocupações sobre estabilidade, direitos soberanos e os rumos das relações entre Estados Unidos e países historicamente afetados por sua política externa.