Por O Brasiliense
O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) subiu o tom e cobrou publicamente a abertura imediata da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar escândalos bilionários envolvendo o Banco Master. A declaração ocorreu neste sábado (20), durante o evento de lançamento da pré-candidatura de Ricardo Cappelli ao Governo do Distrito Federal (GDF).
Mesmo integrando a base de apoio do governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso, Rollemberg defendeu que as investigações avancem de forma implacável. A cobrança ganhou força após a Polícia Federal deflagrar uma operação de busca e apreensão, na última quinta-feira (18), contra o atual líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), suspeito de envolvimento em fraudes ligadas à instituição financeira.
“Nós estamos insistindo na instalação da CPI do Banco Master. Fomos os primeiros a apresentar um requerimento. Nós entendemos que essa investigação tem que ser feita, doa a quem doer, porque nós não podemos mais conviver com a corrupção. Infelizmente, o que a gente percebe é que muitos parlamentares não querem a CPI, a gente entende que muitos parlamentares têm o rabo preso”, disparou Rollemberg.
Pressão nos Bastidores e Blindagem no Congresso
O requerimento para a criação da CPI foi protocolado por Rollemberg no início de fevereiro, após o parlamentar reunir o apoio de mais de 200 deputados federais. Logo na sequência, o deputado de oposição Carlos Jordy (PL-RJ) apresentou um pedido para uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), visando incluir também os senadores nas investigações.
Apesar do número expressivo de assinaturas, as comissões seguem travadas nas gavetas dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Nos bastidores, a paralisia é atribuída ao desinteresse generalizado de lideranças partidárias em abrir uma “caixa de Pandora” às vésperas do período eleitoral, uma vez que o escândalo respinga simultaneamente em parlamentares do Centrão, da oposição de direita e da própria base governista.
Fritura na Liderança e Possível Substituto
A operação Compliance Zero abalou os alicerces da articulação política do Palácio do Planalto. De acordo com investigadores, Jaques Wagner teria tratado diretamente com o ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, sobre propostas legislativas que poderiam beneficiar a instituição controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
O desgaste do senador baiano provocou um racha na Esplanada dos Ministérios. Uma ala do próprio governo passou a defender a saída imediata de Wagner da liderança do Senado para evitar que a crise contamine a agenda do Executivo em pleno ano de votações importantes.
Esse grupo, que já acumulava insatisfações com o parlamentar desde o veto à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), já ventila um plano B para o posto: o atual senador e ex-ministro da Educação, Camilo Santana (PT-CE).