Por O Brasiliense
Os bastidores políticos e financeiros da capital federal foram atingidos por um verdadeiro terremoto institucional. O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, indicado ao cargo pelo Centrão, está articulando os termos para fechar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e com a Procuradoria-Geral da República (PGR), sob o comando de Paulo Gonet.
Isolado em uma ala específica do complexo penitenciário da Papuda, em Brasília, Costa foi autorizado a rascunhar os tópicos e a listar as provas que pretende formalizar em sua colaboração. A movimentação ocorre após a situação jurídica do executivo se complicar drasticamente com a descoberta de mensagens que comprovam sua proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde 2025. A interlocutores, o ex-mandatário do BRB desabafou que se recusa a ser o “elo mais fraco” de uma engrenagem que beneficiou figuras do alto escalão que continuam intocadas pela investigação.
O Caminho do Dinheiro e a “Tradução” dos Códigos
Embora a Polícia Federal já disponha da quebra de sigilo bancário de Vorcaro e de suas respectivas empresas, Paulo Henrique Costa se propõe a ser o “tradutor” dos caminhos do dinheiro dentro da estrutura do BRB. Utilizando o conhecimento técnico acumulado no período em que presidiu a instituição financeira, ele promete decifrar contas e fundos específicos que operavam sob códigos estritos.
De acordo com fontes próximas ao executivo, a abertura desse “quebra-cabeça” societário revelará o fluxo exato de recursos que saíram do caixa do banco público em direção a fundos vinculados a Daniel Vorcaro e a outros destinatários de grande peso político.
Nitroglicerina Pura: As Ordens de Ibaneis Rocha
O ponto de maior fricção política da proposta de delação reside no envolvimento direto do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Paulo Henrique Costa afirma possuir uma série de mensagens cifradas que demonstram que todas as decisões do banco — incluindo operações financeiras ultra-heterodoxas — foram tomadas por determinação expressa de Ibaneis.
As ordens do ex-governador teriam resultado no desembolso de bilhões de reais para a compra de papéis podres do Banco Master, uma manobra temerária que por pouco não levou o BRB à falência completa. Para evitar o colapso da instituição, na última quinta-feira (28), o Ministério da Fazenda e o Governo do Distrito Federal (GDF) fecharam um socorro financeiro emergencial de até R$ 6,5 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Impacto Eleitoral e Ruptura no DF
A iminente delação promete sepultar os planos políticos de Ibaneis Rocha, redesenhando as alianças locais para as eleições de outubro. O cenário atual do emedebista, que já era delicado, sofreu uma deterioração acentuada devido a dois fatores principais:
- Ruptura Política: Ibaneis está formalmente rompido com sua sucessora, a governadora Celina Leão (PP), que assumiu o comando do Palácio do Buriti e precisou gerenciar a crise financeira deixada no BRB.
- Ameaça ao Senado: Antes considerado franco favorito para ocupar uma das duas vagas do DF no Senado Federal, o ex-governador corre o risco de ver sua carreira política abreviada. O caso evoca o precedente do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), que também teve suas pretensões eleitorais fulminadas por investigações semelhantes.
A proposta de colaboração premiada já passou por uma primeira apresentação de escopo às equipes de investigação. Se a veracidade das provas for ratificada pela PF e pela PGR, o caso Master deixará de ser apenas um escândalo financeiro para se tornar o maior elemento de reconfiguração de poder na história recente do Distrito Federal.