Mastercard vira acionista do BRB após execução de dívida e assume fatia milionária do banco

Empresa agora detém 6,93% do capital do Banco de Brasília, mas avisa: vai vender as ações e não quer interferir na gestão

A gigante global de pagamentos Mastercard passou a deter quase 7% do capital total do Banco de Brasília (BRB), após executar a garantia de uma dívida não paga por um acionista do banco no mercado secundário.

A movimentação surpreendeu o mercado nesta semana. Segundo comunicado enviado pela Mastercard ao BRB na última segunda-feira (19/1), a empresa assumiu a propriedade de 33,6 milhões de ações, o equivalente a R$ 230 milhões em participação no banco. O anúncio oficial foi feito pelo BRB na noite de terça-feira (20/1).

O mais curioso: a dívida não tinha qualquer relação com o GDF nem com o próprio banco. A operação envolveu a excussão de uma alienação fiduciária, um mecanismo jurídico que transfere a posse de ativos quando um débito não é quitado.


📊 O que está em jogo?

A Mastercard agora detém:

  • 11.750.000 ações ordinárias — 3,67% do total
  • 21.934.706 ações preferenciais — 13,21% do total

No total, isso representa 6,93% do capital social do BRB.

Apesar do tamanho da participação, a Mastercard foi direta ao afirmar que não pretende influenciar a gestão do banconem assumir qualquer posição de controle. A intenção declarada é vender as ações gradualmente no mercado.

“A excussão da garantia não objetiva alterar a composição do controle ou a estrutura administrativa da sociedade”, reforçou a empresa.


🏦 O que o BRB disse

Em nota ao mercado, o BRB esclareceu que:

  • A dívida pertencia a um acionista privado, sem vínculo com o banco ou com o governo do Distrito Federal;
  • A operação não impacta o controle do banco, que continua sob comando do GDF;
  • O comunicado atende às exigências da Resolução CVM nº 44/2021, que obriga a divulgação de eventos relevantes ao mercado.

💼 O que significa na prática?

Para investidores e correntistas, a notícia não muda o funcionamento do banco nem a estrutura de comando. Mas acende o alerta sobre as movimentações no mercado secundário — onde ações podem ser dadas como garantia e, em casos de inadimplência, mudam de mãos de forma abrupta.

Ainda que a Mastercard diga que está só “de passagem” como acionista do BRB, a movimentação mostra como o capital circula em alta velocidade nos bastidores do sistema financeiro.