“Levanta, cara”: segurança teria abordado homem que morreu sem atendimento na porta do Hospital de Base

Família de Rodrigo Resende do Prado, de 46 anos, relata negligência e omissão no pronto-socorro do HBDF; caso gera revolta e reacende críticas sobre a gestão da saúde pública no DFG1 – Globo

O sentimento de revolta e desamparo tomou conta da família de Rodrigo Resende do Prado, de 46 anos, que faleceu no último domingo (12 de julho) enquanto aguardava por atendimento médico no pronto-socorro do Hospital de Base de Brasília (HBDF). Conhecido carinhosamente como “Digão” em Taguatinga Norte, Rodrigo era o principal cuidador de sua mãe idosa e deixa um filho de apenas 6 anos.

Em relatos carregados de dor e indignação feitos durante o velório nesta quarta-feira (15), familiares expuseram a gravidade da negligência que levou ao óbito do paciente na entrada da unidade de saúde.

“Se eu não tivesse feito escândalo, nem pela triagem ele tinha passado”

De acordo com Bianca Resende de Almeida, irmã da vítima, o sofrimento de Rodrigo foi ignorado desde o momento de sua chegada ao hospital com intensa falta de ar. Diante da evidente piora de seu estado de saúde, ela precisou insistir de forma veemente para que o irmão recebesse atenção dos funcionários.

“Eu pedi socorro e falei que o meu irmão estava morrendo. Ela colocou o aparelho no dedo dele e falou que ele estava bem, que podia esperar porque todo mundo estava na mesma situação”, relatou a irmã.

Mesmo após Bianca argumentar que ninguém na fila se encontrava em condições tão graves, Rodrigo foi instruído a aguardar sentado. Pouco tempo depois, o homem colapsou. A reação de um dos funcionários da segurança do hospital chocou a família:

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  • Insensibilidade: Logo após Rodrigo cair inconsciente no chão, um segurança se aproximou do corpo e disse apenas: “Levanta, cara”.
  • Constatação do óbito: Segundo Bianca, quando a abordagem fria ocorreu, seu irmão já havia perdido a vida.

O contraste de versões entre a família e a gestão

A morte de Rodrigo gerou um debate imediato sobre os protocolos de triagem e acolhimento do hospital. Registros em vídeo feitos por testemunhas mostram o desespero de Bianca implorando por socorro médico enquanto Rodrigo já estava desacordado no chão.

Versão da FamíliaPosicionamento do Iges-DF
Alertas sobre falta de ar e gravidade foram ignorados na triagem; o socorro só veio após Rodrigo perder a consciência.Afirma que o paciente realizou o cadastro e deixou a recepção da unidade por conta própria.
Houve descaso no atendimento e falta de assistência humana por parte da equipe e da segurança.Informa que prestou suporte avançado na Sala Vermelha assim que identificou o mal-estar, realizando manobras de reanimação.

A governadora em exercício, Celina Leão, manifestou-se afirmando que as imagens das câmeras de segurança do hospital serão rigorosamente analisadas para detalhar a dinâmica do atendimento e o tempo de espera. O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF) anunciou a abertura de um procedimento administrativo interno para apurar a conduta médica e o fluxo de acolhimento.

Busca por justiça e denúncia ao Ministério Público

Para os familiares de Rodrigo, a tragédia não pode ser reduzida a uma mera estatística de falhas de sistema. A defesa da família informou que a primeira medida legal será acionar o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

Os parentes pretendem anexar as filmagens gravadas por testemunhas no local e solicitar formalmente o circuito interno de segurança do Hospital de Base.

O irmão de Rodrigo, Renato Resende, fez duras críticas à postura da gestão hospitalar frente à perda da família:

“O Iges só emite nota para a imprensa, não liga para a família para saber como está, não pergunta se precisamos de alguma coisa, não dá amparo nenhum. Parece que daqui a uma semana já esqueceram, mas continuam acontecendo outros casos.”