Em visita ao Brasil, Keith Sutton revive momentos marcantes ao lado de Senna e revela bastidores inéditos da trajetória do ídolo brasileiro na Fórmula 1.
O renomado fotógrafo britânico Keith Sutton, conhecido por eternizar algumas das imagens mais emblemáticas de Ayrton Senna, está de passagem pelo Brasil e emocionou os fãs ao compartilhar memórias inéditas dos bastidores da Fórmula 1 e da relação íntima que construiu com o piloto brasileiro ao longo dos anos.
Sutton conheceu Senna em 1981, durante uma corrida da Fórmula Ford 1600 em Thruxton, na Inglaterra. Ele tinha apenas 21 anos e, ainda tímido, capturou sua primeira imagem do então promissor piloto brasileiro Ayrton Senna da Silva, que sequer sabia que, naquele instante, começava uma das parcerias mais marcantes da história do automobilismo mundial.
“Ele se virou, sorriu, e eu tirei a foto. Foi a primeira fotografia do Ayrton que fiz. Na semana seguinte, ele se lembrou de mim. A partir daí, nunca mais deixei de acompanhá-lo”, relembra Sutton.

De fotos por 50 centavos à Fórmula 1
Com poucas condições financeiras e muito sonho no bolso, Sutton vendia suas fotos para pilotos por algumas moedas. Determinado, buscou veículos estrangeiros e chamou atenção de revistas do mundo todo — inclusive do Brasil. Foi assim que ele começou a seguir Senna em todas as corridas da base europeia, até se tornar seu fotógrafo oficial.
“Ele queria enviar fotos para jornais brasileiros para buscar patrocinadores. Não queria depender mais do pai. E foi aí que tudo começou.”
Após uma breve aposentadoria de Senna em 1981, por falta de apoio financeiro, Sutton manteve o contato com o piloto. Em 1982, Senna ligou dizendo que havia conseguido patrocínio e retornaria à Europa. Em uma conversa marcante, os dois selaram o pacto:
“Eu perguntei: ‘Qual sua ambição?’ E ele disse: ‘Ser piloto de Fórmula 1.’ Eu respondi: ‘E eu quero ser fotógrafo de Fórmula 1.’ E a gente chegou lá juntos.”

Os bastidores do sonho
Com muita estratégia, Sutton começou a criar press releases, reunir fotos e enviar materiais para as equipes da Fórmula 1. Rapidamente, nomes como Bernie Ecclestone e Frank Williams se interessaram por Senna, que passou a ser visto como o próximo grande talento do automobilismo mundial.
“Eu disse ao Bernie: ‘Esse jovem brasileiro vai ser campeão em cinco anos.’ E ele foi.”
O britânico esteve presente em marcos históricos: a primeira vitória de Senna em Portugal (1985), o icônico pódio em Mônaco (1984) e a consagração no Japão (1988), quando Senna conquistou seu primeiro título mundial.
Mas seu momento preferido? O GP do Brasil de 1991, quando Senna venceu pela primeira vez em casa, mesmo com problemas físicos e no carro.
“A multidão gritava seu nome. Ninguém queria ir embora. Foi o dia mais emocionante da minha vida.”

O legado de uma amizade
Embora a parceria profissional tenha se encerrado em 1984, quando Senna entrou para a F1 pela Toleman, a amizade permaneceu intacta. Senna chegou a convidar Sutton para seu primeiro GP no Brasil com todas as despesas pagas — um gesto de gratidão pela confiança no início da carreira.
Hoje, aos 66 anos, Sutton viaja o mundo com um objetivo claro: manter viva a memória de Ayrton Senna e inspirar novas gerações.
“O Ayrton fez parte da minha vida. Só percebi depois de décadas o quão abençoado fui por conhecê-lo. Agora, quero contar essa história para o mundo.”



