Por O Brasiliense
A investigação sobre o pânico digital que afetou milhões de brasileiros tomou um rumo surpreendente. Documentos sigilosos da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil encaminhados à Polícia Federal (PF) revelam que os dez alertas falsos de nível extremo disparados entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada de sábado (20) foram emitidos a partir de duas credenciais de acesso pertencentes a agentes da Defesa Civil do Pará.
Os invasores violaram a Interface de Divulgação de Alertas Públicos (IDAP), sistema gerido pelo Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CENAD). O caso ganhou contornos ainda mais graves porque expôs uma falha crítica de arquitetura na plataforma nacional: embora os perfis dos servidores fossem restritos ao território paraense, os criminosos conseguiram burlar o bloqueio geográfico e direcionar as transmissões para grandes metrópoles e estados das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte.
Bloqueio de Conta e Reincidência na Madrugada
O relatório técnico aponta que o ataque ocorreu em duas ondas distintas. Assim que os dois primeiros alertas falsos foram detectados no final da noite de sexta-feira, a equipe de TI do governo federal bloqueou imediatamente a primeira credencial identificada.
No entanto, em um intervalo de apenas três minutos durante a madrugada de sábado, os criminosos readequaram a ofensiva e usaram uma segunda senha cadastrada pela mesma instituição do Pará para metralhar mais oito comunicados falsos na rede de telefonia móvel. Desesperado para estancar a crise, o governo federal optou por derrubar o sistema nacional por completo à 1h30.
A Cronologia do Caos: De “Misantropia” a Alerta de Tornado
Todas as postagens criminosas foram configuradas propositalmente sob a etiqueta de “Nível Extremo”, o protocolo mais severo da Defesa Civil, reservado apenas para catástrofes iminentes onde há risco de morte e necessidade de evacuação. Das dez mensagens enviadas à população, nove utilizaram a invasiva tecnologia Cell Broadcast (que faz o celular apitar mesmo em modo silencioso) e uma operou via SMS.
Abaixo, os registros oficiais da perícia detalham o conteúdo bizarro e as categorias utilizadas pelos invasores para zombar do sistema de segurança pública do país:
Linha do Tempo dos Disparos Falsos (19 e 20 de Junho de 2026)
- 23h41: Rio de Janeiro (Estado) | Categoria: Deslizamentos“Defesa Civil:misantropo ADRESS RJ burros dms pprt”
- 23h45: Curitiba (PR) | Categoria: Deslizamentos“Defesa Civil: misantropia”
- 01h20: São Paulo (SP) | Categoria: Alagamentos“Defesa Civil: misantropi4”
- 01h21: Rio de Janeiro (RJ) | Categoria: Alagamentos“Defesa Civil: misantropi4”
- 01h21: Distrito Federal | Categoria: Alagamentos“Defesa Civil: misantropi4”
- 01h21: Rio Branco (AC) | Categoria: Alagamentos“Defesa Civil: misantropi4”
- 01h22: Mato Grosso do Sul | Categoria: Tornado“Defesa Civil: misantropi4”
- 01h22: Salvador (BA) | Categoria: Alagamentos“Defesa Civil: misantropi4”
- 01h22: Belo Horizonte (MG) | Categoria: Tornado“Defesa Civil: Civil:ATAQUEALIENIGENA,HUMANOSCHEGAMOSmisantropo”
- 01h23: São Paulo (Estado) | Categoria: Alagamentos“Defesa Civil: misantropi4”
A Polícia Federal trabalha agora para cruzar os dados de IPs (protocolos de internet) de onde partiram as conexões à IDAP para determinar se os computadores dos agentes paraenses foram infectados por algum vírus de acesso remoto (malware), se houve furto de credenciais por meio de técnicas de engenharia social (phishing) ou se houve facilitação interna.