Ibaneis se despede do GDF após ciclo de obras que redesenhou Brasília e projeta voo ao Senado

Governador deixou o cargo neste sábado, 28 de março, para cumprir a desincompatibilização eleitoral; gestão foi marcada por entregas viárias, avanços na educação e reforço da infraestrutura de saúde no Distrito Federal

O governador Ibaneis Rocha (MDB) se despediu neste sábado, 28 de março, do comando do Governo do Distrito Federal, encerrando um ciclo de mais de sete anos à frente do Palácio do Buriti e abrindo caminho para sua entrada na disputa por uma vaga no Senado Federal em 2026. Durante a cerimônia de despedida, ele resumiu o sentimento com uma frase que procurou condensar sua passagem pelo cargo: “Eu saio hoje, na rampa desse Buriti, com a sensação de dever cumprido. Isso não tem nada melhor para um político.” A transmissão formal do cargo para a vice-governadora Celina Leão (PP) está marcada para 30 de março, em sessão solene na CLDF

A saída ocorre por causa da desincompatibilização eleitoral, exigência legal para quem ocupa cargo público e pretende disputar mandato eletivo. Ibaneis, que chegou ao governo em 2019 e foi reeleito em primeiro turno em 2022, deixa o Executivo local tentando consolidar um legado ancorado sobretudo em grandes obras de infraestrutura, na ampliação da rede pública e em uma agenda de transformação urbana que alterou a paisagem e a rotina de Brasília. 

Seu governo será lembrado, em larga medida, pela força do ciclo de obras viárias. Entre as entregas mais emblemáticas está o Túnel Rei Pelé, em Taguatinga, apontado pelo próprio GDF como a maior obra viária de sua gestão. Integrado ao Corredor Eixo Oeste, o projeto foi pensado para melhorar a ligação entre o Sol Nascente/Pôr do Sol e o Plano Piloto e atender 1,8 milhão de pessoas1,3 milhão de veículos13 cidades e 259 mil usuários de transporte público. O governo também destaca que, desde 2019, foram construídos 11 viadutos no DF, parte de uma estratégia de ampliação de fluidez e redução de gargalos históricos no trânsito. 

Outro marco foi o Complexo Viário Saída Leste, entregue em 2024, com investimento de R$ 95 milhões. A estrutura passou a beneficiar diretamente os moradores de Itapoã e Paranoá, regiões que conviviam havia décadas com congestionamentos e acesso precário. Segundo a Agência Brasília, o novo sistema reduziu significativamente o tempo de deslocamento local; um morador ouvido pelo governo relatou que o trajeto entre Itapoã e Paranoá, antes feito em cerca de 40 minutos, caiu para 10 minutos, mesmo no horário de pico. 

Na reta final da gestão, Ibaneis ainda entregou o Viaduto do Sudoeste e avançou na requalificação da Epig, obras que reforçaram a narrativa de um governo orientado pela infraestrutura. O elevado recebeu R$ 24,6 milhões em investimentos e, segundo dados oficiais, beneficia mais de 25 mil motoristas por dia. Já no último dia de mandato, ele inaugurou mais um viaduto na região da Epig, em movimento que simbolizou o encerramento de uma administração fortemente associada à mobilidade urbana. 

Na educação, a gestão também procurou associar obra física à ampliação de acesso. O ano letivo de 2026 começou com novas escolas, unidades reformadas e ampliações em diferentes regiões administrativas, segundo o GDF. Em 2025, a Secretaria de Educação registrou redução histórica da fila por vagas em creches públicas, além de ações como o programa Pontes para o Mundo e o Cartão Uniforme Escolar, em uma agenda que combinou infraestrutura e permanência estudantil. 

Na saúde, Ibaneis deixa um governo que reforçou a atenção primária e a infraestrutura da rede. Entre 2019 e 2025, o GDF investiu R$ 77,8 milhões na ampliação da cobertura com novas UBSs, segundo dados oficiais. Em 2025, a área também contabilizou mais de R$ 500 milhões em investimentos em infraestrutura, com destaque para o reforço da rede, obras em andamento e a entrega do primeiro Centro de Referência Especializado em Transtorno do Espectro Autista (Cretea) do DF. 

Ao deixar o cargo, Ibaneis tenta cristalizar a imagem de um governador que entregou obras visíveis e mexeu na rotina da cidade. Em uma capital em que mobilidade, vagas em creches, atendimento básico de saúde e infraestrutura urbana moldam a percepção cotidiana da população, esse tipo de legado pesa politicamente. Seu discurso final, ao falar em “dever cumprido”, também funciona como mensagem de campanha: a de que o ciclo no Buriti termina, mas o projeto político não. 

Agora, com Celina Leão assumindo o governo, Ibaneis deixa de ser o gestor da máquina para tentar se tornar seu principal fiador político no próximo capítulo: o da corrida ao Senado. E leva para essa disputa a marca de uma gestão que, goste-se ou não de seu estilo, foi profundamente associada à ideia de obra, entrega e transformação concreta da cidade