BRASÍLIA – Em entrevista concedida neste domingo (17/05), a governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão (PP), reafirmou que a operação financeira para cobrir o rombo de mais de R$ 6 bilhões no Banco de Brasília (BRB) está avançando. O montante é necessário para recompor o patrimônio do banco após prejuízos acumulados com a compra de ativos do extinto Banco Master.
A declaração ocorreu após a participação da governadora em uma corrida comemorativa aos 200 anos da Câmara dos Deputados. Celina justificou a cautela na divulgação de detalhes técnicos como uma estratégia de preservação da imagem da instituição financeira.
A Estratégia: FGC e Garantia da União
O plano do Governo do Distrito Federal (GDF) consiste em obter um empréstimo via Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O ponto central da negociação, no entanto, é a garantia da União:
- Aposta de Celina: A governadora busca o aval do Tesouro Nacional para viabilizar a operação e tenta uma agenda direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para destravar a proposta.
- Resistência da Fazenda: O Ministério da Fazenda, sob o comando interino de Dario Durigan, manifestou oposição ao uso do Tesouro como garantia. A pasta sugere que o Fundo Constitucional do DF (FCDF) seja utilizado como lastro para o empréstimo.
O Entrave da Nota “Capag C”
O principal obstáculo técnico para que o Tesouro Nacional conceda o aval é a saúde fiscal do Distrito Federal:
- Classificação de Risco: Atualmente, o DF possui nota C no indicador de Capacidade de Pagamento (Capag) do Tesouro.
- Regra de Ouro: Por norma, a União só oferece garantia para entes federativos que possuam notas A ou B.
- Argumento do GDF: A gestão de Celina Leão trabalha para convencer o governo federal de que a crise do BRB é um caso excepcional de risco sistêmico que justifica a flexibilização das normas ou uma solução política via Executivo.
Prazo e Urgência
O tempo é um fator crítico. Como o Banco Central estabeleceu o dia 29 de maio como prazo final para que o BRB apresente uma solução de capitalização e ajustes operacionais, o GDF tem menos de duas semanas para formalizar o acordo de socorro financeiro.
“Vamos com rapidez, dentro do prazo, resolver o problema do BRB”, assegurou a governadora, sinalizando que a solução pode ser anunciada nos próximos dias, apesar das resistências técnicas na Esplanada dos Ministérios.