Crise no BRB: Presidente do banco busca apoio político para enfrentar rombo de bilhões ligado ao Banco Master

O presidente do BRB (Banco de Brasília), Nelson Antônio de Souza, deve se reunir nos próximos dias com deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) para apresentar a real dimensão da crise enfrentada pela instituição e articular soluções conjuntas para evitar um colapso financeiro.

A iniciativa ocorre após a operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal que culminou na liquidação do Banco Master, na prisão do empresário Daniel Vorcaro — controlador do Master — e no afastamento do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Desde então, o banco regional tem evitado divulgar dados precisos sobre os impactos financeiros da crise.

Segundo apuração da Folha de S.Paulo, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, declarou em depoimento à PF no Supremo Tribunal Federal (STF) que o rombo no BRB pode chegar a pelo menos R$ 5 bilhões.

Para enfrentar a crise, uma das propostas em discussão é a obtenção de um empréstimo junto ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos), com garantias do governo do Distrito Federal. A operação, no entanto, exige aval legislativo. Por isso, a articulação com os deputados ocorre com o apoio direto do Palácio do Buriti, sob comando do governador Ibaneis Rocha (MDB).

A expectativa é que Nelson apresente durante a reunião parlamentares uma estimativa oficial dos danos causados pela operação com o Banco Master, bem como as medidas emergenciais adotadas, como a contratação de uma investigação independente para apurar responsabilidades.

O Banco Central já determinou que o BRB realize um provisionamento de R$ 2,6 bilhões — uma reserva financeira obrigatória — para cobrir possíveis perdas com a compra de carteiras de crédito do Master, que somam cerca de R$ 12,2 bilhões e estão sob suspeita de serem fraudulentas.

A crise expõe um dos maiores desafios enfrentados pelo BRB em sua história recente, exigindo não apenas medidas técnicas, mas também amplo respaldo político para preservar a estabilidade do banco e, por extensão, a do próprio sistema financeiro do Distrito Federal.