Brasília freia pouco: excesso de velocidade lidera explosão de infrações no trânsito em 2025

Distrito Federal registrou quase 2 milhões de multas por velocidade acima do limite. Crescimento das seis principais infrações acende alerta para comportamento nas vias urbanas.

Brasília — Em um ano marcado por avanços tecnológicos e expansão de campanhas educativas, o trânsito do Distrito Federal seguiu acelerando — literalmente. Dados recém-divulgados pelo Departamento de Trânsito (Detran-DF) revelam que, em 2025, o número de infrações por excesso de velocidade ultrapassou 1,9 milhão, consolidando-se como o retrato mais gritante de uma cultura de imprudência persistente nas ruas da capital federal.

Mas o problema vai além da velocidade. Todas as seis infrações mais comuns aumentaram em relação a 2024, compondo um quadro preocupante para autoridades, urbanistas e a sociedade civil.


Não são os radares, somos nós

Apesar da escalada nas autuações, o Detran afirma: nenhum novo radar foi instalado. A explicação está no aumento das operações de fiscalização e policiamento viário. Com isso, os olhos eletrônicos já existentes e a presença ostensiva dos agentes conseguiram captar com mais precisão um comportamento recorrente: motoristas que ignoram leis básicas de convivência no trânsito.

O número de infrações levantado pelo órgão mostra que, em vez de uma mudança de mentalidade, houve apenas um deslocamento na vigilância. O resultado é estatístico, mas o impacto é humano.


O ranking da negligência

Veja as seis infrações que mais cresceram no DF em 2025:

  1. Excesso de velocidade — Quase 2 milhões de multas
  2. Uso indevido de faixa exclusiva
  3. Estacionamento irregular
  4. Avanço de sinal vermelho
  5. Ausência do cinto de segurança
  6. Uso do celular ao volante

Essas infrações, que variam entre leves e gravíssimas segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), são penalizadas com multas que vão de R$ 88,38 a R$ 293,47. Mas, em muitos casos, o custo real é bem maior: vidas perdidas, traumas permanentes e a sensação de que dirigir nas vias do DF está se tornando um risco diário.


A lógica da pressa, o preço do descuido

Por trás dos números está uma cultura enraizada de impaciência urbana. As multas por avanço de sinal e o uso do celular revelam motoristas que assumem riscos conscientes, muitas vezes em nome de minutos economizados. Já a ausência do cinto de segurança, que deveria ser uma prática automática, escancara um descaso com a própria vida e a dos passageiros.

O estacionamento irregular, por sua vez, denuncia uma apropriação indevida do espaço público, muitas vezes praticada por quem vê a cidade como um território particular, e não um ecossistema coletivo.


Multar resolve? Ou educar?

O Detran-DF reforça que, embora a fiscalização esteja mais presente, a mudança de comportamento não pode ser imposta apenas com penalidades. A presença de agentes e equipamentos é importante, mas a educação viária e a conscientização cidadã continuam sendo os pilares fundamentais para reduzir infrações e acidentes.

Segundo especialistas em mobilidade urbana, a cidade precisa ser pensada não só para os carros, mas também para os pedestres, ciclistas e usuários do transporte público — e isso começa pelo respeito às regras mais básicas.


Uma cidade que corre, mas para onde?

Brasília, projetada para ser moderna e funcional, hoje enfrenta um paradoxo urbano: a fluidez das vias se choca com o comportamento agressivo de quem as ocupa. E se os quase dois milhões de motoristas multados por velocidade excessiva em 2025 não bastam para frear essa tendência, talvez seja hora de perguntar: quem está realmente no controle — o volante ou a pressa?