Justiça revoga prisão de dono da rede Tesoura de Ouro investigado por fraude de R$ 45 milhões no DF

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Juraci Pessoa de Carvalho foi solto após cumprimento de mandado temporário na Operação Sarto; defesa alega higidez do grupo empresarial e nega irregularidades fiscais.

BRASÍLIA — O empresário Juraci Pessoa de Carvalho, conhecido como Juraci Tesoura de Ouro e proprietário do grupo varejista de vestuário Tesoura de Ouro, teve sua prisão temporária revogada e foi colocado em liberdade. Ele havia sido detido no âmbito da Operação Sarto, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para apurar um suposto esquema de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e organização criminosa com prejuízo estimado em mais de R$ 45 milhões aos cofres do Governo do Distrito Federal (GDF).

O investigado chegou a recolher fiança de R$ 5 mil no dia do cumprimento das buscas devido à localização de uma arma de fogo sem o devido registro em seu endereço, mas permaneceu na carceragem da Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP) em razão da ordem judicial temporária. A defesa do empresário obteve a decisão de soltura na Justiça do DF.

A investigação e a estrutura de fachada

A Operação Sarto mobilizou 120 policiais civis para o cumprimento de 26 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária em empresas e residências localizadas em diversas regiões administrativas do DF — como Sudoeste,Águas Claras, Vicente Pires, Núcleo Bandeirante, Taguatinga, Recanto das Emas e Ceilândia —, além dos municípios goianos de Planaltina de Goiás e Cidade Ocidental.

De acordo com as apurações conduzidas pela PCDF, o grupo empresarial investigado teria utilizado ao menos 123 empresas de fachada para emitir notas fiscais fraudulentas, suprimir impostos distritais e circular recursos de origem ilícita. O inquérito aponta que os quadros societários dessas empresas eram compostos por “laranjas” — pessoas com padrão de vida simples —, incluindo um funcionário com a função de motorista em cujo nome foram identificados 47 CNPJs vinculados.

A polícia sustenta que o fracionamento de valores em diversas contas bancárias buscava blindar os reais beneficiários do esquema e ocultar o crédito tributário devedor. As penas somadas para os crimes investigados podem chegar a 28 anos de reclusão.

O outro lado

Em nota oficial encaminhada à imprensa, Juraci Pessoa de Carvalho afirmou que o Grupo Tesoura de Ouro atua há mais de 30 anos no mercado local e figura entre os maiores contribuintes de ICMS do Distrito Federal junto à Secretaria de Estado de Economia (Sefaz-DF).

O empresário pontuou que o processo investigativo vigora desde 2022 sem denúncia formalizada e ressaltou a relevância econômica da empresa para a capital. Segundo o comunicado, a rede emprega cerca de 1,5 mil funcionários e movimenta aproximadamente R$ 20,8 milhões por mês em despesas operacionais, tributos, folha de pagamento e acertos com fornecedores. A defesa reforça que confia na demonstração da regularidade fiscal do grupo ao longo da instrução do processo.

Serviço

  • Operação Policial: Operação Sarto
  • Órgão Responsável: Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF)
  • Investigados: Grupo Tesoura de Ouro / Juraci Pessoa de Carvalho
  • Crimes Apurados: Sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e organização criminosa
  • Montante Investigado: Dívida tributária superior a R$ 45 milhões com o GDF
  • Fonte: PCDF / Defesa dos investigados