Obras apresentadas na Bienal do Livro de São Paulo oferecem estratégias práticas baseadas em evidências científicas para pais e terapeutas.
Por O Brasiliense
Uma coleção de manuais focada no ensino de habilidades básicas e de vida diária para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi lançada na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Distrito Anhembi. O material foi desenvolvido por Camila Graciella Santos Gomes, pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento, Cognição e Ensino (INCT-ECCE/UFSCar), e Analice Dutra Silveira, terapeuta ocupacional e diretora do Centro de Estudos e Intervenção (CEI) para o Desenvolvimento Humano.
As obras utilizam linguagem acessível e recursos ilustrados para orientar pais, cuidadores e profissionais da saúde e da educação.
Metodologia e Foco das Publicações
O conteúdo das publicações baseia-se nos princípios da intervenção comportamental intensiva, uma abordagem de ensino estruturada e respaldada por evidências científicas desenvolvidas ao longo de mais de dez anos de pesquisas no CEI.
- Habilidades Fundamentais: Orientação para o desenvolvimento de comunicação verbal e gestual, interação social, autonomia em autocuidado e leitura inicial.
- Aplicação Prática no Cotidiano: Guia passo a passo para a aplicação de tarefas planejadas no ambiente doméstico ou em clínicas.
- Monitoramento e Adaptação: Métodos para acompanhar o progresso individual e ajustar as atividades conforme as necessidades específicas de cada criança.
“Os manuais tornam o conhecimento mais próximo e aplicável, ajudando seus leitores a compreender não apenas o que pode ser ensinado, mas também como colocar as orientações em prática de forma planejada”, destacou Camila Gomes.
Democratização do Conhecimento Científico
Durante a apresentação mediada pela jornalista e ativista Patrícia Negrão no Espaço Educação da Bienal, as autoras defenderam a importância de retirar o conhecimento acadêmico dos centros universitários e levá-lo diretamente às famílias.
A produção científica nacional, segundo as pesquisadoras, tem papel decisivo no fortalecimento de práticas inclusivas e na ampliação da autonomia e da qualidade de vida de pessoas autistas em todo o país.
*Fonte: Vanessa Ayres Pereira, bolsista de Jornalismo Científico financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e vinculada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comportamento, Cognição e Ensino (INCT-ECCE).