Novos laudos periciais indicam possíveis falhas de governança e envolvimento de membros da Diretoria Colegiada na compra de carteiras do Banco Master; investigação mira primeiro indiciamento de Daniel Vorcaro.
O Brasiliense — A Polícia Federal (PF) solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, a prorrogação por 60 dias do inquérito que apura supostas irregularidades no Banco Regional de Brasília (BRB). A medida foi motivada pela emissão de novos laudos periciais que identificaram indícios da participação de membros da Diretoria Colegiada (DICOL) da instituição em deliberações com o Banco Master.
Até o momento, a Operação Compliance Zero contava apenas com a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Contudo, as novas evidências coletadas pelos analistas apontaram a necessidade de colher depoimentos dos demais diretores envolvidos nas decisões. O relatório final da apuração deve resultar no primeiro indiciamento do banqueiro Daniel Vorcaro por crimes contra o sistema financeiro.
Falhas de governança e irregularidades em transações
De acordo com a petição encaminhada ao STF, a perícia da Polícia Federal identificou o descumprimento sistemático de normas internas, além de concentração excessiva de risco e fragilidades na governança do BRB. Os analistas constataram que operações foram aprovadas fora dos procedimentos de controle padrão do banco, com participação direta da cúpula da diretoria.
- Inconsistências com a empresa Tirreno: Um segundo laudo pericial apontou discrepâncias nas negociações efetuadas com a empresa Tirreno. A PF destacou a incompatibilidade entre a estrutura físico-financeira da firma e o volume bilionário das cessões de crédito operadas junto ao BRB.
- Falta de liquidação e falhas documentais: Os peritos destacaram a ausência de comprovação da liquidação efetiva das transações, somada a graves inconsistências na documentação apresentada.
Próximos passos da investigação
Com a extensão do prazo por mais 60 dias, a PF pretende realizar oitiva com os novos investigados da Diretoria Colegiada e aguardar dados conclusivos do Banco Central (BC) sobre o impacto real e o prejuízo causado aos cofres do banco público.